O fim do SLA como era conhecido

Meu guru puxou-me a orelha sobre o uso da expressão “SLA”.

Ele é mais engenheiro do que eu. Determinístico. Cartesiano. Também sou engenheiro, mas, digamos assim, diluído.

Por causa dessa formação, meu guru às vezes exagera em sua rigidez enciclopédica (“cão” é “cão” e “gato” é “gato”: são coisas diferentes). Mas “quem não tem cão, caça com gato” é um ditado popular que não se pode ignorar.

O que era SLA?

Há alguns dias escrevi um artigo que dizia XLA não ser novidade. Ideia: a Pesquisa de Satisfação integrava o SLA.

Meu guru redarguiu no artigo Peculiaridades do Service Level Agreement (SLA)  e me poupou do constrangimento público de indicar que eu estava errado.

Ou fez isso, porém de maneira finamente irônica, pois é um gentleman, um lord, uma pessoa de alma bendita (ando elogiando tanta gente que perco seguidores que preferem sangue).

Segundo ele, a percepção do cliente não pertence ao universo SLA.

Então demonstrarei como, filosoficamente ou na prática, estou certo.

Durante muito tempo, foi costume falar de SLA como associado a cronômetros (ou suas médias). Mas atenção ao substantivo cronômetro.

  • Quanto tempo para responder?
  • Quanto tempo para solucionar?
  • Qual a disponibilidade prometida?

Existem mais tópicos, não listarei.

Eis que apareceu uma revolta, antes tímida, agora lugar-comum.

Profissionais questionavam que, se um serviço cumpre todos os prazos e ainda assim deixa o cliente insatisfeito, valeu pra algo o nível de serviço ter sido cumprido?

Retomando minha ótica inicial

No vocabulário técnico, SLA e XLA distinguem compromissos diferentes.

Na conversa com um cliente, porém, “nosso SLA” pode designar o documento em que as partes reúnem aquilo que esperam do serviço e a maneira como vão avaliar sua entrega.

De certa maneira, separar SLA e XLA é burocracia, é coisa nossa.

É tecniquês.

A baronesa (alcunha da ITIL) em sua version 5 mantém o gerenciamento de níveis de serviço e dá destaque à experiência dos usuários de serviços digitais. Tem até um módulo “Experience” que trata da experiência como percepção e avaliação ao longo do tempo.

Aliás, a própria palavra “experiência” vem mudando seu significado.

Antes, era uma “prova, ensaio, tentativa”. Agora representa o conjunto de todas as percepções, sentimentos e reações que um consumidor tem ao interagir com o Service Desk.

Quer outro exemplo de mudança de significado? O angustiante e deprimente “Bora lá”.

Nem se trata mais de uma contração de “Vamos embora”, pois “Bora lá” tornou-se afirmativo. De certa maneira, com viés positivo.

Algo como “Bora lá cortar a grana!”.

Estou a preparar você para uma afirmação: o significado “purista” de SLA mudou.

Ou até melhor: não se apegue ao significante (“SLA”), mas ao significado (“prestar um bom serviço”).

Dois ângulos

Há, portanto, dois ângulos para examinar a mesma prestação:

  1. O funcionamento observado do serviço.
  2. E aquilo que seus usuários vivem ao utilizá-lo.

Tecnicamente, chamar o segundo de XLA pode ajudar a projetar métricas melhores.

Porém, ao cliente, “Acordo de Nível de Serviço” é tudo, sem distinção de SLA e XLA, MDA, Obalá…

Imagine um MSP que se compromete a responder 90% dos incidentes prioritários em até 15 minutos (o abominável Tempo de Resposta).

O indicador é claro, mas m tantinho incompleto.

Receber uma resposta automática no prazo e passar horas sem uma nova atualização é um acordo decente?

O fornecedor cumpre a meta e falha em aspectos relevantes do serviço.

Por outro lado, não precisamos de toda uma nova ciência (CX Experience) e uma formação com 400 horas para isso (exceto se você for um Parque de Diversões como o da Disney, o que duvido muito), pois o existente é suficiente.

Conclusão e proposta

Meu ponto é defender a liberdade de construir, sob o tópico “SLA”, um acordo de serviço que mostre ao cliente tanto os compromissos operacionais quanto os compromissos de experiência.

Podem chamar de seção de XLA, Qualidade de Atendimento, o que for.

O título do documento é o que menos importa se o cliente restar insatisfeito.

Em minha opinião,

Abrazon

EL CO

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