Gigantes de tecnologia marcham na contramão do Home Office

Há muito debate sobre o tema Home Office.

Meu guru afirma que sim, chegou para ficar, e aposta várias fichas (ele não põe todas por que é esperto e sabe ganhar dinheiro).

Eu arrisco no contrário. Assim que essa pandemia desaparecer (espero ainda estar vivo), o ser humano volta a ser um bicho social (aliás, em algumas praias já voltou com as aglomerações tão desejadas pelo corona ví­rus).

Obviamente ninguém sabe o que vai acontecer.

Se soubesse, compraria bitcoins antes do Elon investir 1 bilhão. Acertaria os números da mega Sena e se mudaria para o Reino Unido. Ou não, lá o bichinho tá pegando. Chisparia pra Israel. Se bem que lá sempre existe uma tensão no ar. Ou ficaria por aqui mesmo, melhor paí­s do mundo pra ser rico.

Porém, saiu um artigo ontem – 16/02/2021 – na revista Wired intitulado:

Se o trabalho está se tornando remoto, por que a Big Tech seguem construindo?

O resumo

  • Os projetos futuros do Google somam milhões de metros quadrados de novos escritórios para milhares de trabalhadores no atual centro de San Jose.
  • “Acreditamos que a colaboração interna será tão importante para o futuro do Google quanto foi para o nosso passado”, escreveu o CEO Sundar Pichai em um e-mail recente à equipe. A empresa planeja dar a seus funcionários a opção de vir ao escritório três dias por semana quando retornarem no iní­cio de setembro.
  • Em maio de 2020, depois de enfatizar muito a importância dos hubs de engenharia, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, lançou uma nova meta de 50% de trabalho remoto. No mesmo mês, o Facebook revelou um design atualizado para seu novo campus em Menlo Park, denominado Willow Village, com espaço para 3.400 funcionários e 1.700 residências.
  • Tudo se resume, em grande parte, à matemática simples: os gigantes do Vale do Silí­cio estão crescendo rápido demais para afrouxar o controle do espaço fí­sico – mesmo que, em alguns casos, eles queiram. Na época dos comentários de Zuckerberg sobre o trabalho remoto, pesquisas internas mostraram que a maioria dos funcionários estava ansiosa para voltar ao escritório e Zuckerberg disse que a transição para o trabalho remoto poderia levar 10 anos. Enquanto isso, só no ano passado, o Facebook aumentou seu quadro de funcionários em 13.000, principalmente em produtos e engenharia, colocando o número total de funcionários em mais de 58.000. A Alphabet adicionou 16.000 para um total de 135.000.
  • “A ideia era que a tecnologia permitiria que as pessoas trabalhassem de qualquer lugar, tornando os escritórios e as cidades menos relevantes. O que obtivemos foi o oposto.”
  • A ênfase na colaboração face a face transformou esses escritórios em crescimento em centros de gravidade – núcleos para investidores em busca de talentos do Google, empresas de marketing, indústrias que ajudam a Apple a fabricar novos protótipos. Depois, há as startups, que surgem e extraem do grande pool de talentos em tecnologia e muitas vezes são absorvidos de volta.
  • “Não se trata apenas de proximidade com as grandes empresas. É a proximidade com o ecossistema a partir do qual as grandes empresas cresceram. A geleia toda.” MARGARET O’MARA, HISTORIADORA, UNIVERSIDADE DE WASHINGTON
  • As empresas, por sua vez, dizem que ainda estão trabalhando nisso. Maria Noel Fernandez, diretora de campanha do Silicon Valley Rising que lida com trabalhadores em campi de tecnologia, está cética de que o trabalho flexí­vel significará muitas mudanças para a equipe. Os funcionários ainda vão querer as vantagens: boa comida, creche, a possibilidade de entrar em um ônibus com Wi-Fi e estar no escritório a qualquer hora do dia.

Brazilian context

Exemplo 1

Um amigo, dono de uma software-house de 50 pessoas, no iní­cio da pandemia mandou todo mundo trabalhar em casa. E devolveu a sede (alugada). Ele é um sujeito que cria tendências. Empreendedor nato. Há algumas semanas, alugou nova sede. Quer trazer o povo de volta pro ambiente tradicional de trabalho. Nem que seja part-time. A cultura corporativa sofre com esse distanciamento.

Exemplo 2

Prestei consultoria numa megaempresa de tecnologia no oeste catarinense. Pico da pandemia – yep, eu sou corajoso quando preciso de dinheiro pra comprar moto. Todos por lá trabalhando normalmente. De máscara, mas juntos.

Yes, eu sei que a XP Investimentos mandou todo mundo pra casa. Que a empresa Y ou Z fez o mesmo.

Só estou, ordinariamente, realizando os contrapontos para que o pessoal não se jogue em algo que pode ser uma tendência passageira.

Veremos. Tomara que o ví­rus não me alcance antes. Mas se me pegar, que abandone esse corpo e vá pegar um melhor.

Conclusões

  • Sim, o Home Office está se espraiando.
  • Empresas de tecnologia que crescem rapidamente não tem condições de organizar o ambiente para manter o pessoal em Home Office; é o que penso. Questões como cultura organizacional e outros aspectos ficam diluí­dos quando o sujeito tá em casa.
  • A troca de conhecimentos que proporciona a serendipidade e inovação exige proximidade das pessoas – vide mais sobre isso no espetacular artigo de Roberto Cohen De onde vêm as boas ideias. Viva os pólos de tecnologia.

Abs

EL Co

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.