As pesquisas de benchmarking, assim como as de dietas de emagrecimento, fazem data fishing

Utilizar pesquisas de benchmarking para conhecer números de mercado, em geral, não é algo positivo para a tomada de decisões.

Em especial por que geralmente se desconhece a amostra de dados (tipo de população pesquisada, quantidade de respondedores e outras variáveis).

Pesquisas de comparação são positivas. Quando analisam processos de concorrente (ou de mercado). E identificam como podemos ser melhores.

O perigo maior…

A pesquisa científica, em geral, tem uma hipótese a ser avaliada. Se realiza testes para ver se determinada variável influencia algo, utilizando grupos de controle.

Ou, em outros casos, a pesquisa é adotada para averiguação de situações, como descobrir o preço do litro de combustível em todos os postos da cidade.

Porém…

O perigo maior são as conclusões levianas e sem muita profundidade.

Quase toda pesquisa tem um patrocinador.

E ele, ao obter os resultados, vai catar — data fishing — aquilo que mais lhe interessa. De boa ou má fé. De forma consciente ou involuntária. Não importa. Acontece.

E pior: independentemente da amostra, pode se tornar uma “generalização” de mercado.

Para compreender isso, basta recordar o exercício dos tempos de infância do telefone sem fio: “quem conta um conto, inventa um ponto.“

Dos riscos

Então você se depara com publicidades como:

  • É necessário um técnico para cada 20 usuários em média.
  • O agente cognitivo da empresa “Y” passou a resolver 50% dos chamados e liberou nossos profissionais para outras atividades.
  • 70% das empresas não se preocupam com segurança tanto quanto deveriam.
  • 65% das senhas de usuários são “123456”.

Perceba: você não tem noção dos dados que geraram os números acima, somente os números brutos finais.

Analise a última conclusão: 65% das senhas de usuários são “123456”.

  1. Podem ser senhas de sites que nem existem mais.
  2. Podem ser de alunos que estudam mais na faculdade.
  3. Pode ser um monte de coisas.

Vamos ao agente cognitivo, missiva que tanto empolga donos de empresas de tecnologia preocupados com rotatividade, má qualidade do atendimento etc.

  1. Talvez a “liberação dos profissionais para outras atividades” seja para suportar a operação do agente com tutoria, ajuste da tecnologia, alimentação de registros etc.
  2. Talvez com a implantação do agente cognitivo a empresa tenha baixado uma regra draconiana de “suporte a XXX SOMENTE pelo agente cognitivo”.
  3. E se os usuários insatisfeitos migraram para canais de atendimentos informais?
  4. E se estiverem se divertindo com o agente, fazendo questões supérfluas?
  5. E se o número estiver sendo inflado?
  6. E se…

Ceticismo (“um procedimento intelectual de dúvida permanente”) é a bola da vez quando você enxergar uma estatística.

Recomendo o eterno livreco antigo e estupendo Como mentir com estatí­stica de Derrel Huff.

Aliás, se estiver mais curioso sobre como números podem ser malvados:

Ah, e sobre as dietas, Cohen, do título?

Pois então…

Uma microbiologista e um jornalista científico se uniram para criticar uma série de crenças que, segundo eles, são pseudociências. E já listaram também várias outras doutrinas no bolo.

Em Que bobagem!, Natalia Pasternak e Carlos Orsi usam o rigor científico para detonar práticas populares sem base empírica, como homeopatia e astrologia.

O livro mostra que aceitar essas pseudociências não é “uma coisinha de nada”, mas um risco real à saúde pública e ao nosso bolso.

Há, entre outras desaprovações, argumentos contrários ao detox (dietas de desintoxicação), dieta paleo, suplementação vitamínica (sem deficiência clínica), alimentos orgânicos, dieta do tipo sanguíneo e glúten (como vilão para não celíacos).

O mais importante sempre fica para o final

Há duas edições com inscrições abertas do famoso professor Roberto Cohen, autor de 6 livros na área.

O título é Support Center Management for Leaders.

Uma online e outra na cidade de Caxias do Sul/RS com apoio do TrinoPolo.

Inscrições em https://www.4hd.com.br/calendario

Fiz também um data fishing dos elogios (as críticas inexistem!):

  • Treinamento excelente, com foco prático em temas do dia a dia.
  • Era um curso muito esperado, já estava esperando fazer há um ano e atendeu as minhas expectativas.
  • Metodologia é maravilhosa, estou muito satisfeito com o conteúdo, e vai me ajudar na transição de técnico para gestor.
  • O curso superou todas as minhas expectativas. Aprendi muito conteúdo novo e a experiência foi fundamental para ampliar minha visão sobre a gestão do suporte. 
  • O curso é um divisor de águas ou uma bússola para quem está em fase de transição de carreira ou até mesmo aperfeiçoamento na liderança e gestão. Recomendo de olhos fechados.

Abrazon, El Co

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