Quem é gestor conhece o assunto.
A IA faz parte das nossas vidas. Mas ainda há profissionais que rejeitam seu uso.
Quando falo uso, é algo estruturado, não o habitual e banal método “pergunta&resposta”.
Destrinchando
Aqui quarteirizei a muleta.
Li o artigo de Nir Eyal The Beliefs That Determine Whether You Succeed With AI que se apoiou no livro, ainda não lançado até o momento, The Psychology of AI Adoption at Work: From Resistance to Results de Gleb Tsipursky.
Esse é o famoso “livro datado”.
Normalmente trata de uma versão de produto que, quando for sobrepujado por uma nova versão, se tornará inútil.
Assim acontecerá também com essa obra quando todo mundo usar IA como internet, computador etc.
Você, sabe…
É inútil resistir, independentemente do seu viés político, social, econômico etc.
Você ainda pode querer:
- Lavar roupas no tanque, apesar da existência da máquina de lavar roupas.
- Enviar cartas, apesar da internet estar aí.
- Não usar computador, mas sim sua máquina de datilografar.
- Idem para computar números na sua calculadora de mesa.
- Ouvir LP, apesar do Spotify (OK, aqui ainda tem resistência).
- Vale o mesmo para a IA.
Me perdi do artigo, retornemos
O artigo aponta uma situação:
Imagine dois colegas experimentando o mesmo assistente de IA pela primeira vez. Ambos pedem que ele resuma um documento complexo. Ambos recebem uma resposta contendo uma informação útil e um erro óbvio. Um pensa: “Essa ferramenta não é confiável”, fecha a janela e volta a trabalhar como antes. O outro pensa: “Preciso aprender quais partes ele processa bem”, altera as instruções, verifica o resultado e tenta novamente. Mesma ferramenta. Mesma tarefa. Futuros diferentes.
Sim, esse comportamento existe. É humano. Demasiadamente humano.
Enfrento-o com meus consulentes (aquele que recebe consultoria).
Gestores de suporte técnico resistem a usar IA diante dos primeiros resultados errados numa experiência de pesquisa de reincidência de chamados, classificação de incidentes, o escambau.
A resistência às mudanças é do ser humano. Veja o que aponta o artigo (que se refere ao livro):
1. Eu não sou uma pessoa de IA
Como diz o autor, ter pouca experiência com IA não significa que você “não é uma pessoa de IA”.
Justamente o contrário: a falta de habilidade é um bom indicador de que é o tipo de pessoa que tirará o máximo proveito da IA.
Mas aí vem uma atividade corporativa, como tenho dito: treinar todo mundo no uso de IA.
Passar contexto, guardrails, fornecer exemplo etc.
Toda essa nova conjuntura de conhecimento associado à “novidade” (que como disse, passará a ser como eletricidade em nossas vidas, independente dos impactos sociais que é papo pra outro blog, não meu).
2. Uma ferramenta inteligente deveria acertar de primeira
Hahaha…
O sujeito tenta uma, duas vezes e chuta o balde.
Vale o mesmo para um colega (passa a desprezá-lo), apesar do autor do artigo ser elegante e citar o contrário.
Não acertará de primeira, se não souber manusear de maneira mais profissional.
Esqueça prompts da simplicidade de “Qual capital da França?”.
É preciso calibrar.
A própria fornecedora do Claude dá dicas para isso:

3. Usar IA me faz parecer menos capaz
Essa coisa é um algoritmo! Um programa melhorado.
Alguém precisa ter capacidade de direcionar e avaliar/julgar as respostas da IA.
Cidadão, ou cidadã, ou cidadãe (sei lá, tentando usar linguagem neutra):
- Quando você se valia de uma calculadora não mostrava aos outros que você não sabia fazer contas.
- Usar o Word não significava que você não sabe escrever.
- Lavar roupas na máquina de lavar não o torna incapaz de lavar às mãos (bem, alguns sim).
A questão relevante é quem contribui com o contexto, os padrões, a responsabilidade e o julgamento final.
4. Quanto mais IA, melhor não é verdadeiro
Se liga, mané (já estou conjugando na segunda pessoa, haha).
Para tudo. Não é pra enfiar IA em tudo (claro, os fornecedores e o comércio de tokens agradece).
Precisa ver onde ela melhora os resultados. IA em tudo não significa mais progresso.
lembre-se: “Devo usar IA onde ela melhora o resultado!”
5. A IA tomará conta do mundo
Não pense assim!
Você ficará imobilizado, inerte como fiquei todo o ano de 2024.
Depois me dei conta: “não é isso, Cohen, não é isso!”
Explico:
Há muito tempo, eu tinha uma empresa de desenvolvimento de software para imobiliárias de vendas de imóvel. Havia uma empresa na área que era top em Porto Alegre.
Perguntei ao dono: “Esse monte de ideias que dá pro software, não te preocupa que teu concorrente usará também?”
Ele disse:
“Cohen, tu entrega a faca ao sujeito. Ele corta o pão ou tenta serrar a árvore com ela. Os concorrentes não sabem usar de uma forma que entregue mais resultados. Eu sei”.
Conclusão
Não vou dar conclusão alguma.
Você tem condições de pensar a respeito, seja gestor de suporte técnico, dono de um MSP, diretor de TI de uma corporação ou vendedor de toboágua pra residências particulares.
Nos vemos.
Abrazon
PS: Putz, não usei nada de IA novamente. Ainda pensando no meu guru e seus ensinamentos.
