Meu guru é um gênio

Lamento não ter a velocidade necessária para acompanhar a sabedoria de meu guru.

A realidade, malvada como ela só, dilacera meu coração para recordar as palavras do mestre.

Explico.

Da circunstância

Caminho no Parque da Redenção, O MAIOR DO BRASIL em número de gaúchos circulando.

Geralmente às 06:00 (no verão) ou 13:00 (no inverno).

Excepcionalmente, caminhei segunda-feira às 18:00, e o horror tomou conta de mim.

Por dois motivos.

Primeiro, por que o Espelho d’Água, o  ponto mais elegante do parque, estava tomado por cães.

Aparentemente, havia autorização para humanos circularem no local, desde que devidamente presos às guias de seus pets.

A cachorrada — ou filhos, como bem queiram — reproduziam fielmente comportamentos outrora humanos.

  • Uns brincavam.
  • Outros se mordiam com raiva.
  • Terceiros olhavam pacificamente (estou abusando do adjunto adverbial “-mente” hoje, depois peço pra IA revisar e ir plantar batatas, se conseguir) o movimento, como as fofoqueira que ficavam nas janelas das casas.
  • Alguns mais condescendentes liberavam seus humanos da guia desde que se comportassem.

Caíram-me os butiás do bolso.

Não haverá “invasão alienígena” como os primeiros filmes de ficção científica advertiam.

Ocorreu uma invasão canina (desculpem, elurofílicos — relativo a quem sente afeição ou grande apreço por gatos. Designa uma pessoa que gosta especialmente de felinos domésticos).

Ninguém com gatos, rinocerontes, peixinhos de estimação, macacos.

Nem mesmo filhotes humanos.

Somente cães. De variadas raças.

Guru

Segundo motivo de horror: meu guru já tenta, subliminarmente e também na porrada, alertar-me para esse fato.

Como não aceitei as palavras dele? Por que essa resistência?

Bob, o mercado mundial” — para ele, sempre o econômico — “vai explodir. Pessoas estão ficando idosas e adotam pets. Pessoas solitárias idem. Tratam-nos como filhos. Gastam em conforto, luxo, atendimento de saúde para eles. Choram copiosamente quando morrem.

Eu sempre recordava do meu cão de adolescência: não entrava na casa senão levava chinelada (ou algo mais pesado). E sua única utilidade era latir quando alguém tentasse pular a cerca do quintal.

Conclusão

O problema: TI é quase um Venon em mim. Não há como remover da minha essência sem… Você sabe.

Por outro lado, agora compreendo o conhecimento transmitido por meu guru.

Azar o dele que arrumou um humano lento como eu. Por isso talvez tenha adotado a Deusa do seu lar. Ela o compreende.

Vivendo e aprendendo. Antes tarde do que nunca. Já mudar… Ah, bom isso são outros 500 (pro psicanalista).

Abrazon

EL CO

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