Liderança: do monge, em tempos de crise, …

Liderança de classe mundial, estilo Jack Welch, liderança emocional, liderança compartilhada, liderança radical, duradoura, heróica, ética, para o sucesso, para uma nova era, sustentada em valores, no limite, no fio da navalha, Maquiavel e a liderança, invisí­vel, espiritual, positiva, bla bla bla.

Em uma única pesquisa no site da Livraria Cultura encontrei quase 150 tí­tulos dedicados a este assunto.

Geralmente quem assume um posto de supervisão no Help Desk / Service Desk deseja preparar-se para essa tarefa que, via de regra, significa coordenar uma pequena ou grande equipe. É natural que procure treinamento e literatura sobre o assunto.

Mas…

Tais coisas ainda não são simples como parecem…

Não dá pra carregar na mente, feito o filme Matrix, todo um conhecimento sobre liderança.

Neste post quero apresentar dois aspectos importantes relacionados ao tí­tulo:

1. CARACTERÍSTICAS INTRA-PESSOAIS

Psico-diagnóstico.

O que significa isso: após uma bateria de testes-padrões aplicada em um indiví­duo – geralmente candidato a alguma vaga-, resulta um perfil psicológico para o mesmo. A qualidade de tais testes é tão boa que consegue até descobrir quando alguém está mentindo nas respostas, pelo cruzamento de dados.

Liderança pode ser desenvolvida numa pessoa. Lapidada também. Mas quando esta chega na idade adulta, boa parte do seu caráter já está formado. É possí­vel desenvolver um potencial latente. Mas é dureza desenvolver uma caracterí­stica que não faz parte da pessoa. Parece que hoje todos devem ser lí­deres. E isso é uma falácia. Uma bobagem. As pessoas devem fazer bem seu trabalho e, preferencialmente, ganhar muito com ele, seja dinheiro, glória ou outra coisa que procure.

Para certos tipos de função, é bom que a pessoa não tenha traços de liderança. Auxiliares de enfermagem, por exemplo. Precisam seguir ordens (da enfermeira), ter caracterí­sticas assistenciais muito forte e comportamento exibicionista num ní­vel baixo, além de reduzida dominância.

Já a enfermeira precisa ter traços autoritários, para poder exercer sua liderança (neste ambiente!). Um sujeito do comercial precisa ter traços exibicionistas e nada assistenciais. O negócio dele não é ajudar os outros, mas vender, vender.

Assim, minha conclusão neste tópico é que você “não pode torcer o pepino depois que ele já está maduro“, conforme diz a sabedoria popular. Se a vida lhe coloca numa posição que exige liderança, veja que atributos você possui e o seu próprio estilo. Não tente quebrar sua espinha aprendendo métodos em livros ou cursos que contrariam a sua forma de ser.

2. CULTURA CORPORATIVA

Existem vários tipos de liderança. E que são exercidas em diversos momentos.

Um tipo de liderança bem-aceito no exército (e em outras organizações rí­gidas e hierárquicas) é o da autoridade. Ninguém consegue ver um coronel frouxo. Ele precisa comandar como se espera dele e da imagem que se formou desta figura na instituição.

Em um time de futebol, depende da situação. Quando o Leão pega o Corí­ntians lá no fundo do poço, espera-se alguém de pulso firme para acabar com o lenga-lenga, estrelismo e tal, puxar a responsabilidade para si e fazer acontecer.

Em outras situações, o que se deseja é uma liderança colaborativa que faça o grupo avançar, conversando, dialogando, discutindo, etc.

No livro “Guia de Sobrevivência da Cultura Corporativa“, de Edgar Schein, existem exemplos sobre como o estilo pessoal de liderança entra em conflito com a cultura corporativa do ambiente.

Um excerto do livro:

Há muitos anos, quando se destacava na criação de jogos computadorizados, a Atari contratou um CEO (Chief Executive Officer) com formação em marketing. Sua experiência cultural lhe dizia que a melhor maneira de administrar uma empresa era com incentivos individuais e um plano de carreiras. Imagine a tristeza dele quando descobriu um confuso bando de engenheiros e programadores cujo trabalho era aparentemente tão desorganizado que nem se conseguia dizer quem deveria ser recompensado pelo quê.

Bem, o CEO estava certo de que sabia como arrumar aquela bagunça! Criou uma contabilidade clara e pessoal e um sistema de prêmios individualista e competitivo simbolizado pela escolha do “engenheiro do mês” – tudo isso para descobrir que a empresa ficou desmoralizada e alguns dos melhores engenheiros pediram demissão.

Esse voluntarioso CEO não tinha percebido que a essência do processo criativo de bons videogames era o clima de colaboração desestruturada que permitia que os designers estimulassem a criatividade recí­proca. O jogo de sucesso era um produto do grupo. Cada engenheiro acreditava que só através de uma extensa interação informal poderia surgir uma idéia. Ninguém conseguia se lembrar de quem, na verdade, tinha contribuí­do com o quê. O sistema individualizado de prêmios dava muito crédito para o engenheiro do mês indicado pelo CEO, e o clima competitivo fazia a diversão e a criatividade diminuí­rem.

(…)

Se os marqueteiros não se entendem com as culturas técnicas, como foi possí­vel que alguém como Lou Gerstner entrasse na IBM e devolvesse o lucro e a saúde econômica da empresa? Aqui, também, a história não é totalmente conhecida, mas assumir uma perspectiva cultural revela um fato-chave sobre a IBM.

Tom Watson, seu fundador, era um vendedor infeliz trabalhando para o autocrático John Patterson, criador da National Cash Register. Watson decidiu formar sua própria fábrica de máquinas – mas lembre-se de que ele era um vendedor, e, portanto, usou muito de seus valores e crenças da cultura de vendas e do marketing (Dyer, 1986). Quando a IBM passou por dificuldades, há alguns anos, muitos de seus funcionários argumentaram que uma falha de marketing era a culpada pelos problemas; assim, um bom CEO com formação em marketing era a maneira correta de retormar o momentum.

Embora o lado técnico da IBM fique em evidência de vez em quando, o lado de vendas e marketing sempre predominou. Portanto, Gerstner acertou em cheio.

Conclusão deste tópico

O que você aprender num treinamento, livro ou sei lá onde sobre liderança pode ser inútil no ambiente do seu trabalho em função da cultura corporativa!

Conclusãããããããããããããão de todo post

Hahahaha, eu não vou lhe dar o caminho das pedras.

Cada vez mais me interessa fazer pensar. Hoje em dia, em função do imediatismo, da pressa, do agora-e-já está cada vez mais escasso o tempo para ponderar, questionar, refletir.

Mas é através do exercí­cio da reflexão que você vai descobrir o SEU caminho da pedras.

Ou você pode me contratar para ensiná-lo a liderar (brincadeira!).

Abraços e obrigado por ler este post!

El Cohen

3 comentários em “Liderança: do monge, em tempos de crise, …”

  1. Um livro bem legal que li a respeito de liderança foi ” O monge e o executivo “, tem muita coisa boa no livro que nos faz refletir, é uma excelente leitura.

    Abraços e parabéns pelo post.

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