Hoje recebi uma newsletter de um fabricante.
Ela apontava como fator de crescimento de uma empresa sua eficiência.
Rapidamente lembrei de um artigo lido no início de minha carreira, quando, como você, eu devorava tudo que conseguia sobre gestão, marketing e trocentas outras coisas. Hoje tem o Gemini, muita gente “atalha”.
Miopia
Essa expressão, no ambiente corporativo, foi usada em 1960. Você nem tem ideia de como eram as coisas nessa época.
Recordo que, 5 anos depois, as pessoas ainda se sentavam em cadeiras de praia na frente de suas casas, depois do expediente, para conversar e tomar chimarrão.
Mas “Miopia de marketing” é um conceito clássico da área de gestão criado por Theodore Levitt no artigo Marketing Myopia, publicado na Harvard Business Review.
Levitt explicou isso analisando a indústria ferroviária dos EUA. As empresas acreditavam que estavam no negócio de trens. Na realidade, estavam no negócio de transporte.
Quando surgiram carros, caminhões e aviões, as ferrovias não reagiram adequadamente porque não se viam como parte do setor de mobilidade. Resultado: perderam relevância.
A miopia de marketing geralmente acontece quando a empresa:
- Foca demais no produto
- Ignora mudanças no comportamento do consumidor
- Subestima novas tecnologias
- Prioriza eficiência operacional em vez de valor para o cliente
Do texto que me chegou: “Quero falar de estratégia, de como a eficiência operacional é o que realmente sustenta o crescimento (o tal do growth)“.
Eu respeito a opinião dos outros. Ainda mais de pessoas bem-sucedidas. Mas isso não me impede de discordar. E gerar um bom debate sobre o assunto. Focando exclusivamente no tema, não em quem foi que escreveu, por que foi (suas intenções) etc.
Eficiência vs. Eficácia
Em 2008 escrevi um artigo intitulado Eficiência x eficácia – Peter Drucker.

O mote era um debate — havia debates naqueles tempos — na lista de discussão ITSM_BR do Yahoo. O pano de fundo:
“O ERP da empresa caiu, abrimos um chamado inicial para tratar do incidente, porém temos 200 ligações ao help desk sobre a indisponibilidade do sistema. Teríamos 201 incidentes ou 1 incidente e 200 chamados de informação?”
Não vou replicá-lo todo aqui.
Mas nele está uma diferença visceral entre a ITIL e o FitSM.
A primeira busca eficiência, por mais que nossos amigos embaixadores digam que interpretei mal o que está escrito etc. Eu conheço a velha baronesa desde quase seu lançamento. Fui seu adepto/seguidor.
Já o FitSM busca eficácia: “resolve logo isso em vez de ficar anotando os chamados”.
Mais não apresento por que estou atrasado pra levar o cachorro da minha filha a ter aulas de “subir em árvore”.
É cansativo. E, às vezes, penso que ele é muito tanso. Ou eu, hahaha.
Abrazon
EL CO
