Analista de Help Desk também pensa!

Uma das melhores maneiras para despertar a criatividade é obter visões diferentes de uma coisa.

A criatividade é importantí­ssima em nossa atuação como analistas de Help Desk e Service Desk. Se fossemos atendentes de Call Center, simplesmente seguirí­amos o script. Mas como está no âmago de nossa profissão resolver problemas, inquirir, revelar, descobrir, perscrutar…

Ter criatividade ajuda.

Tudo isso para…

Registrar que ontem consegui ir na minha primeira palestra Fronteiras do Pensamento. Ciclo de eventos com pensadores de todo o mundo e que realiza-se em Porto Alegre, todas as terças-feiras.

Ontem a deixa foi do francês Guy Sorman. Escreveu “O Estado mí­nimo”, quase uma bí­blia do liberalismo econômico, e isso já diz a corrente de pensamento dele.

Curiosamente, Guy estava sentado na fileira à minha frente até ser chamado ao palco:

A questão é: nós, profissionais de Help Desk e Service Desk, ainda que preocupados com nossos afazeres do cotidiano (levantar cedo, pegar metrô, trabalhar, estudar, etc), precisamos aprender a pensar.

E a transformar atos que pareceriam ruins em momentos agradáveis.

E foi isso que fiz.

Num Salão de Atos (da UFRGS) lotadaço, ouvi durante uma hora e meia o pensador.

Aqui vão algumas idéias do Sorman:

  • Quando caiu o muro de Berlim em 1989, caiu também o dualismo entre capitalismo e socialismo. Hoje todos os trens levam para uma mesma estação: economia aberta. Alguns vão rápidos, outros lentos. Outros até tentam dar marcha-ré, mas existe hoje apenas uma estação.
  • OS EUA tiveram duas vantagens iniciais para chegarem onde estão: a) mão-de-obra escassa (ao contrário da Europa, por exemplo) que os obrigou a serem altamente produtivos e b) a democracia.
  • A globalização ajuda aos pobres, pois os ricos sempre se deram bem, fosse qual fosse o ambiente.
  • Chineses e muçulmanos possuem liberdades individuais. Maomé, aliás, era mercador e o Islã (assim como o judaí­smo) apóia a prosperidade, ao contrário do cristianismo, budismo, etc.
  • Quando a economia cresce, a justiça social também. O “sentimento” de injustiça é maior por que as classes tornam-se mais reinvindicatórias do que quando na miséria.
  • Não há sistema econômico que enriqueça somente os ricos. Estes precisam de consumidores e acarretam todo um crescimento das camadas econômicas.
  • Perguntado se o consumismo grassava no mundo, Sorman comentou que pena que os povos não têm objetivos mais nobres. Mas que todos eles desejam orar de barriga cheia (uma ironia do palestrante).
  • O poder econômico mundial não consegue dar um jeito no problema da África por que lá a questão não é econômica, mas polí­tica. O poder está distribuí­do em várias e várias tribos que disputam, desfazem e tornam inóqua uma intervenção externa.
  • Perguntado sobre o fato dos EUA terem intervindo no Iraque contra uma decisão da ONU, disse que este organismo não é um parlamento democrático, tampouco o Conselho de Segurança. Ocorreram intervenções na Bósnia, etc com apoio da ONU e deu no que deu.
  • Sobre os ecologistas, existem três tipos: a) marxistas renovados que desejam destruir o capitalismo sob uma nova bandeira; b) os neo-pagãos que adotam o culto às árvores mais do que ao ser humano e c) os ecologistas cientí­ficos que criticam a poluição e exigem métodos mais racionais de desenvolvimento.
  • Subsí­dios agrí­colas foram um péssimo negócio na França, pois acomodaram os agricultores franceses. Estes não buscaram desenvolvimento, novas técnicas, etc e geraram produtos mais caros para os consumidores.
  • Sua última mensagem é: a crí­tica ao liberalismo (que no Brasil é confundido com uma classe polí­tica conservadora) não é sobre a gestão, mas sobre a sua lentidão em gerar os benefí­cios esperados.

Pois é isso.

Não estou sugerindo aceitação plena e irrestrita do que expressou o palestrante. Mas algo melhor: pensar sobre!

Terça-feira que vem tem mais.

Na outra também, mas estarei em Sampa!

Abraços

El Cohen

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