A Inteligência Artificial não vai salvar seu Service Desk. Que bom!

Hoje é quarta-feira e amanheci “com a macaca”, como se dizia.

Não é expressão sexual, nem racista.

O Gemini diz que é expressão africana e aponta o artigo da Revista Superinteressante: De onde veio a expressão “estar com a macaca”.

Desembuchando

O mercado de tecnologia tem uma relação peculiar com a esperança — a culpa é sua, Epimeteu.

Há uma tradição no ambiente corporativo de torcer por salvadores tecnológicos praquelas dificuldades que são essencialmente gerenciais. É uma espécie de superstição moderna, tipo os viventes da série Origem e suas pedras nas portas.

A cada punhado de anos surge uma nova promessa pra resolver problemas antigos. Já foram os MRPs — eu peguei essa época das fábricas —, ERPs, os CRMs, frameworks de TI, a transformação digital, e uma coleção infinita de siglas que passearam pelas salas de reunião.

And now it’s your showtime, Inteligência Artificial.

Chegou a vez dos centros de suporte e seus gestores acreditarem que um algoritmo corrigirá em seis meses problemas que a organização não resolve há dez anos.

Que problemas, Cohen?

Quando uma operação apresenta falhas de comunicação, ausência de padrões, registros inconsistentes e processos improvisados, o comportamento natural deveria ser investigar a gestão e resolver/remediar a bagunça.

Mas não.

A primeira ideia é: vamos desenvolver implantar IA.

Ela é extraordinariamente útil. Escrever isso me dá a sensação de patético, pois se trata de escrever o óbvio, algo como “á agua molha”. Ela resume informações, produz textos, identifica padrões, sugere soluções e executa atividades em segundos que eu gastaria horas.

Maaaaaaaaaas.. o problema não está na ferramenta.

O problema está na expectativa infantil que o mercado desenvolve em relação a ela, como se estivéssemos diante de uma combinação entre consultor, terapeuta, diretor de operações e entidade transcendental (essa última é muito boa — “que está além do mundo sensível ou das condições ordinárias de compreensão”).

Um dos maiores especialistas no assunto, o Taurion (ex-IBM, ex-IBM), está cansado de explicar isso no Linkedin.

O detalhe incômodo é que a IA não faz aquilo que os gestores precisam:

  • Não cria disciplina operacional.
  • Não estabelece responsabilidade.
  • Não corrige ausência de gestão.
  • Não convence analistas a registrar corretamente os chamados.
  • Não ressuscita uma base de conhecimento abandonada.
  • Não substitui treinamento.
  • Não constrói cultura organizacional.

Em outras palavras: resolve problemas técnicos com enorme competência, mas tem dificuldades pra resolver os problemas humanos.

IA como megafone

Existe ainda um fenômeno curioso que poucos percebem:

A IA não corrige a desorganização; ela amplifica.

Como assim?

  1. Uma base de conhecimento ruim gera respostas ruins a jato.
  2. Processos confusos causam decisões atrapalhadas nos técnicos com muita eficiência.
  3. Dados inconsistentes em dashboards “lindos de morrer” geram prioridades horrorosas.

O progresso tecnológico não escolhe lado.

Vai que é daí que tem tanta notícia ruim de implementação — uma delas comentei: Klarna apostou na IA para o atendimento e perdeu clientes.

Quando a tecnologia encontra uma operação desorganizada, ela reflete o que encontra. O algoritmo não tem consciência moral que interrompa o processo e anuncie:

Opaaaaa, antes de continuar é bom organizar os serviços, dar uma revisada os procedimentos e, quem sabe, treinar a equipe.

Ele toca com o material disponível. A responsabilidade é humana.

Ou melhor (ou pior), sua, gestor.

Boa notícia!!!!

Por outro lado, é uma excelente notícia para profissionais sérios.

Se a IA resolvesse sozinha os problemas de gestão, bastaria a gente contratar o “Gemini Service Desk” ou o “Claude Support Center” (versão antiga por que a nova o Trump não deixa) e todas as empresas alcançariam os mesmos resultados.

A vantagem competitiva, claro, sumiria rapidamente. Ao menos a relativa ao atendimento.

Processos bem definidos, conhecimento estruturado, gestão consistente, métricas relevantes e equipes capacitadas continuam sendo diferenciais decisivos.

A IA pode acelerar tudo isso, mas depende ainda de alguém que diga “pra onde correr”.

E como eu sou legal às pampas, não vou deixá-lo na mão!

Lembrete

No meu curso de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk, rebatizado de Support Center Management for Leaders para ter aroma corporativo, eu ensino:

  1. Processos básicos necessários
  2. Como lidar com gente
  3. E tudo o mais (fora 2 meses gratuitos na plataforma 4HD SPACE).

Em três dias deixo seu gestor outra pessoa!

  • Online
    01, 02 e 03 de julho – 08:30-12:00 e 13:30-17:00
    R$ 2.995 (em 5x PJ)
  • Presencial – Passo Fundo/RS
    22, 23 e 24 de julho – 08:30-12:00 e 13:30-17:00
    R$ 2.593 (em 5x PJ)

Inscrições e detalhes em www.4hd.com.br/calendario

Alguns elogios (as críticas inexistem!) de meus alunos:

  • Treinamento excelente, com foco prático em temas do dia a dia.
  • Era um curso muito esperado, já estava esperando fazer há um ano e atendeu as minhas expectativas.
  • Metodologia é maravilhosa, estou muito satisfeito com o conteúdo, e vai me ajudar na transição de técnico para gestor.
  • O curso superou todas as minhas expectativas. Aprendi muito conteúdo novo e a experiência foi fundamental para ampliar minha visão sobre a gestão do suporte. 
  • O curso é um divisor de águas ou uma bússola para quem está em fase de transição de carreira ou até mesmo aperfeiçoamento na liderança e gestão. Recomendo de olhos fechados.

Pois é isso.

Dá-lhe Messi! Três ontem. Antes Messi que Mbappé.

Abrazon, El Co

 

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