As primeiras observações sobre home office, pelo FT

Pra quem não conhece, FT é a sigla do Financial Times, um jornal diário internacional de lí­ngua inglesa, com ênfase especial em negócios e notí­cias econômicas.

Dado que é muito respeitado pela comunidade, vale ler (e analisar) os comentários extraí­dos de uma seção denominada “The return to the office” que esboça cenários da volta dos funcionários aos escritórios fí­sicos.

Em verdade, vou pinçar excertos.

Naturalmente eles, os trechos que selecionei, são tendenciosos. Mesmo que eu não quisesse, a teoria do perspectivismo diz que o pensamento de uma pessoa sobre a realidade tem lugar a partir de uma perspectiva histórica, econômica, psicológica, cultural e tudo o mais.

E essa pessoa sou eu (e se não entendeu, pesquisa mais sobre o tema, hehe)!

Se você pode fazer seu trabalho em qualquer lugar, alguém mais pode fazê-lo?

Do FT: If you can do your job anywhere, can anyone do your job?

O artigo apresenta a história do Bob. Programador que, trabalhando em casa para sua empresa, terceirizou seu serviço para um colega na China, haha.

Isso parece uma certa “sacanagem” com a empresa, mas pode ser uma faca de dois gumes. Como diz o ditado, quem dá um passo maior que as pernas, acaba quebrando-as.

Leia pedaço do artigo:

Se você trabalhar remotamente, seu empregador pode acabar percebendo que você é eminentemente substituí­vel por outra pessoa que realiza sua tarefa de maneira mais barata do outro lado do mundo. Fora da vista, longe da mente, fora do trabalho.

Huahuahua…

Mesmo assim, simplesmente estar na linha dos olhos de seu gerente também não garante proteção contra a terceirização do seu trabalho.

Voltando ao Bob:

Confiar nas pessoas para trabalharem em casa é uma habilidade que os gerentes precisam aprender. Quando os investigadores da Verizon investigaram a situação de Bob, examinaram que “seu código-fonte estava limpo, bem escrito e enviado em tempo hábil. Trimestre após trimestre, sua avaliação de desempenho o apontou como o melhor desenvolvedor do prédio.”

Exceto que ele não estava no edifí­cio e nem mesmo era o desenvolvedor que escrevia o código.

Trabalhar em casa começa a encher o saco ficar chato

Do FT: Working from home is starting to pall

A ausência de deslocamento diário e outros males tornou a vida de muitos mais fácil. A maioria das pessoas quer continuar trabalhando em casa (pelo menos um ou dois dias na semana) quando a pandemia acabar.

Porém, quanto mais tempo o trabalho remoto continua, mais enfraquece esse desejo. A turma anda inquieta feito cachorro com pulga.

Muitas tarefas demoram mais quando a pessoa que você precisa falar com urgência está passeando com o pet. É mais difí­cil descobrir por que os emails ficam sem resposta quando você não pode ir até a mesa do não respondente (não é de admirar que pesquisas sugerem que a semana de trabalho se esticou em até mais quatro horas).

Além disso, alguns escritórios domésticos são péssimos. Quanta gente está empoleirada na cozinha ou no canto da sala? Veja o caso da minha esposa que presta terapia online para uma pessoa que vai a uma praça pública em busca de alguma privacidade.

Com todo mundo passando mais tempo de olho pregado na tela, cansaço, insônia e dores de cabeça são problemas comuns do Brasil à Inglaterra. Isso sem falar nas dores nas paletas costas e problemas nos olhos.

Mais:

Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas disse estar mais produtiva, uma descoberta que faz sentido em um momento de desemprego crescente e insegurança no emprego.

Mas ser altamente produtivo não é nada fácil, de acordo com a Peakon, uma empresa de análise de funcionários que as empresas (incluindo a FT) usam para medir o que seus funcionários sentem sobre seu trabalho.

Os gerentes estão mais pressionados e realizam mais reuniões para manter contato com equipes distantes. Mas essas sessões com o time não são suficientes para um pai que tenta cumprir prazos urgentes e ainda tem de que lidar com aulas dos filhos em casa, ou um novo funcionário que não faz a mí­nima ideia de a quem pedir ajuda para um problema que se defronta.

Encontrar tempo para essas pessoas em particular é algo importantí­ssimo em momentos como estes.

Enquanto isso…

Amazon aposta em escritórios

Esse é o hyperlink no periódico Baguete

Veja texto escrito pelo editor Maurí­cio Renner:

A gigante de e-commerce anunciou planos de agregar 850 mil metros quadrados de escritórios corporativos nas suas operações de Nova Iorque, Phoenix, San Diego, Denver, Detroit e Dallas nos próximos dois anos.

Para se ter uma ideia, 850 mil metros quadrados são o equivalente a 119 campos de futebol.

O novo espaço deve abrigar 3,5 mil funcionários em posições corporativas aos quase 100 mil que a empresa já tem hoje (outros 500 mil trabalham nas operações).

Ampliar a equipe é então uma decisão natural, mas a decisão de crescer junto o espaço de escritório vai contra o que andam dizendo algumas das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, para quem o trabalho desde casa veio para ficar.

Da minha opinião

Nem tanto ao mar, nem tanto ao céu. Um pouco de equilí­brio nas coisas.

Bons conselhos e caldo de galinha, não fazem mal a ninguém.

Muitos colaboradores afirmam efusivamente que sua produtividade aumentou em home office.

Por um lado, essa afirmação pode ser uma defesa para o desemprego galopante no Brazil. Mas até pode ser verdade, visto que se o colaborador for da metrópole São Paulo, ele vem economizado umas quatro horas de deslocamento diário e também sumiram as dúvidas sobre onde almoçar (e a perda de tempo na fila do buffet) entre outras coisas.

Mas o que me confunde nessa declaração de produtividade é a quantidade de interrupções horárias que alguém sofre – e se for dona de casa com filhos, muito mais ainda. Como Mary Tighe diz no FT:

O trabalho remoto também pode ser injusto para as mulheres, argumenta Tighe. Muitas vezes, é cativante quando crianças pequenas interrompem o pai durante uma chamada de ví­deo, diz ela. Eles podem subir em seu colo e depois se afastar.

Quando interrompem a mãe, tendem a vir com demandas e a situação é diferente. “A mãe diz: ‘Espera aí­!’ e a criança diz: ‘Onde está minha mochila de unicórnio?'”, disse Tighe.

“Toda vez que leio um artigo que diz que trabalhar em casa é ótimo para mulheres com filhos, penso ‘Em que planeta você vive?'”

Mas a vida continua. Retomei meus cursos com todo o cuidado possí­vel.

Semana que vem acontece o curso presencial de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk em Sampa.

E existe outro agendado para 02-03-04 de dezembro. Por que também não aguento mais ficar em casa, hehe.

Abraços a todos e se cuidem.

EL CO

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