Antígona, Creonte e o nosso eletricista

A mitologia grega entesoura lições para o nosso cotidiano (em casa e no trabalho)

Dia desses pifou um casal de lâmpadas fluorescentes na empresa.

Investiga dali e daqui, nosso administrativo localiza um eletricista em nosso próprio prédio. Ele vem e identifica o problema como sendo o reator das lâmpadas. Oferece um novo, lacrado, e fechamos a compra. Pagamos o reator e o serviço.

Dois meses depois… Pifam novamente.

Depois de muita insistência, ele envia um secretário que troca novamente o reator (agora por um moderno, segundo o secretário) e as lâmpadas retornam às suas funções.

Do conflito e visão mí­ope dos serviços desejados

Então o eletricista me liga para cobrar os serviços. Eu reclamo. Ele diz que não cobrará o reator, apenas o serviço de troca. Explico a ele que a pessoa que me vendeu esse reator fora ele mesmo!! E ele disse que não pode se responsabilizar pelos defeitos de fábrica.

Bem, esse prestador de serviços não captou um aspecto:

Eu jamais o chamei para trocar reator, fios etc. Pensei em ver as lâmpadas acesas novamente. Pra ver a infra funcionando novamente.

É nesse impasse que surge tal conflito entre diferentes visões interessadas (a do fornecedor e do tomador de serviços).

Creonte e Antí­gona

Esse mito apresenta um tradicional dilema entre a lei formal e as leis construí­das informalmente pela sociedade.

Quando Édipo – rei de Tebas – morreu, dois filhos disputaram o trono. Um deles se casou com a filha de outro rei e marchou contra Tebas e lutou contra o irmão.

Resultado foi que os dois pretendentes ao trono morreram e quem faturou o posto foi um tio deles. Que de inhapa, mandou dar um funeral com honras ao irmão protetor da cidade e deixou o corpo do outro ao léu (inclusive impedindo qualquer um de tentar enterrá-lo, o que era um horror).

Aí­ entra o borogodó da história: quem está certo? Antí­gona (irmã dos dois pretendentes) que deseja enterrar seu irmão, pois quem não tivesse uma sepultura vagaria pela eternidade ou Creonte que aplica a dura lex a quem atacou a cidade?

Complicado…

Imaginem quem passa fome e rouba um pedaço de pão. Ou rouba uma farmácia por que não tem dinheiro para pagar os remédios do filho que está quase morrendo? Vai pra cadeia por ter realizado um ato criminoso?

Meu eletricista

Poderia eu cair no mesmo impasse acima destacado (Creonte x Antí­gona) com o eletricista. Um olhar racional argumentaria que ele realmente veio na segunda vez até minha empresa resolver a questão e que isso tudo imputa em custos de deslocamento, mão de obra etc.

Mas eu não o pago para trocar reatores, esse é o fulcro da questão. Eu contrato um eletricista para, no caso em questão, fazer a luz artificial funcionar.

E você? Qual o foco do seu suporte técnico? Você (e seu time) consegue extrapolar o mero atendimento técnico para visualizar o seu envolvimento com o negócio inteiro?

Smack

Bom final de semana a todos.

Domingo é dia de moto-harley-trip até o Morro da Borússia. Quem estiver pelos pagos, se achegue e vamos juntos!

Abrazon

EL CO

 

1 comentário em “Antígona, Creonte e o nosso eletricista”

  1. Fantástica a leitura…
    Nossa vida é feita de tomada de decisões. Algumas fáceis, outras dificílimas. E ainda há aquelas em que preferimos tirar no cara ou coroa, simplesmente porque não conseguimos vizualizar qual a melhor opção. Me atire uma moeda quem nunca tirou cara ou coroa na hora de tomar uma decisão!

    Como trabalho com suporte há anos, sempre tive uma filosofia na escolha de minhas prioridades: primeiro o que não funciona, depois o que não agrada e finalmente aquilo que é experimental.

    Temos que fazer as lâmpadas acenderem, em outra oportunidade verificamos se outro tipo de lâmpada ou reator pode trazer um reator melhor. Prioritariamente devemos deixar o cliente iluminado.

    Um grande abraço e um ótimo final de semana a todos.

    Leandro

    P.S. Patrão, já que vais estar por perto, se quiseres dar uma esticada, são mais 50km até Terra de Areia. Apareces por lá para tomar um mate conosco!

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