Decida isso e me diga o que fazer, por favor!

Conforto, não preguiça.

“— Que a batata quente fique na sua mão, não na minha”.

Depois de anos trabalhando em centros de suporte, percebi que esse é o comportamento mais comum do analista para gestor de suporte. E desse para seu chefe.

Pensei em escrever esse artigo dias atrás. Faleceu minha sogra. Toda família empurrava as decisões para minha esposa. Ou seja: “— Define aí que a gente faz, mas diz o que fazer”.

Retornando ao nosso ambiente…

Do analista

Tem analista que descobre a causa do chamado em cinco minutos, mas não fecha sem consultar alguém. O diabo desconfia mais do próprio julgamento do que de uma impressora informando “LOAD PAPER”.

Não é preguiça. É conforto. Quem decide carrega junto o risco da decisão.

Quem apenas executa dorme melhor.

Se o cliente reclamar, a resposta vem pronta: “Foi orientação da chefia.”

O suporte técnico, que deveria ser um ambiente de solução, às vezes se transforma numa fábrica de transferência de responsabilidade. E considerando que todos o tratam — ainda — como porta de entrada da TI…

Num MSP ou numa TI

O espetáculo ganha proporções quando aparece o dono do MSP ou o diretor de tecnologia.

Tais personalidades reclamam que vivem atolados em tarefas operacionais. Só que fazem questão de aprovar tudo.

Decidem prioridade, validam respostas, escolhem escalonamentos. Tudo pra reduzir erros; OK, é humano, é natural.

Depois compram um livro sobre estratégia e perguntam por que nunca encontram tempo para lê-lo, hehe.

Gestor novo

A tragédia: o gestor de suporte, em muitas empresas, recém promovido, recebe apenas o figurino da função.

Ganha um cargo novo, participa das reuniões e troca sua assinatura de e-mail (e Linkedin). Só não recebe aquilo que justifica sua existência: autonomia para decidir. Vira uma central de retransmissão.

  1. O analista pergunta para ele.
  2. Ele pergunta para o diretor.
  3. O diretor responde.
  4. O diretor pensa: “— Imagina deixar ele decidir sozinho, muito cru ainda”.
  5. Isso quando não diz-diz o gestor numa decisão que esse tomou.

Depois de alguns anos, o time fica condicionado. Pensar vira atividade de risco. O jeito mais garantido é perguntar/confirmar tudo.

  • “Posso priorizar este cliente?”
  • “Posso encerrar este incidente?”
  • “Posso ligar para o fornecedor?”
  • “O que faço se o residente faltar?”
  • “Como…”

Se aparecer uma fumaça saindo do rack, alguém entra no Teams para validar se existe autorização formal para usar o extintor (ah tá bom, exagerei nessa, mas é segunda-feira e os molengas do Brasil ontem perderam pra Noruega).

O curioso é que muitos diretores confundem isso com controle. Não controlam a operação; acumulam decisões que nunca deveriam chegar à sua mesa.

Tornam-se o principal gargalo do suporte e, sem perceber, treinam a equipe para não pensar. Depois reclamam que falta gente com iniciativa.

(Dói ler, né?!)

Princípio de Peter

Olhando um jogo da Copa lembrei de um livro antigo: “Todo mundo é incompetente, inclusive você”.

Em inglês, The Peter Principle.

Vale a pena ler o artigo Wikipedia: Princípio de Peter sobre a origem bem-humorada desse princípio.

Quantos que me leem não promoveram o supertécnico à função de Gestor do Help Desk, Service Desk e Suporte Técnico?

Não é culpa do supertécnico; esse só aproveitou a oportunidade de ganhar mais.

Conheça alguns trechos do Princípio:

  1. Com o tempo, cada posto tende a ser ocupado por um funcionário que é incompetente para realizar suas funções.
  2. O trabalho é realizado pelo funcionário que ainda não atingiu o seu nível de incompetência.

E com humor ainda do próprio autor:

  • A nata sobe até azedar.
  • Para qualquer trabalho no mundo existe alguém, em algum lugar, que não o pode fazer. Pela força da promoção, esta pessoa conseguirá esse posto.
  • Uma viagem de mil quilômetros termina com um único passo.
  • Todo trabalho útil será feito por aqueles que ainda não alcançaram seu nível de incompetência.

Eu quero que você decida por mim. É a regra preestabelecida para não correr riscos.

Se deseja evitar isso — tal sobrecarga que impede você, gestor de TI ou de empresa de tecnologia de realizar o seu REAL serviço — o melhor é capacitar seu colaborador ao cargo.

E falando nisso, quero lembrar:

Meu curso sobre Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk faz exatamente isso:

  • 22/23/24 de julho – presencial em Passo Fundo/RS
  • 19/20/21 de agosto – online
  • 26/27/28 de agosto – presencial em Criciúma/SC

Inscrições e detalhes em https://www.4hd.com.br/calendario

Eu vou ajeitar seu gestor. Vai por mim. 

Feito, “Foi Brazil” (pra onde eu não sei, mas imagino que trabalhar)!

Abrazon, EL CO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *