Literatura lida de janeiro a setembro de 2020

Bah! Sobrou tempo para leitura e aprendizados durante este perí­odo de pandemia, mas…

Surpreendentemente não li muito, em função da escrita de meu novo livro Base de Conhecimento para Help Desk e Service Desk.

Mas isso não significa que tenha encalhado em meus aprendizados! 😀

Vamos aos livros:

De zero a um – o que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silí­cio

Na verdade, foi uma releitura do De zero a um. Havia lido em inglês, agora em português.

A obra é de Peter Thiel, fundador do Paypal, Palantir e outras empresas. Ele literalmente esculhamba com a noção de livre concorrência e outras visões românticas sobre livre mercado. Algumas citações:

  • Cada momento nos negócios ocorre uma só vez. O próximo Bill Gates não criará um sistema operacional. O próximo Larry Page ou Sergey Brin não desenvolverá um mecanismo de busca. E o próximo Mark Zuckerberg não fundará uma rede social. Se você está copiando essas pessoas, não está aprendendo com elas.
  • O monopólio é a condição de todo negócio bem-sucedido.
  • Monopólio criativo significa produtos novos que beneficiam a todos e lucros sustentáveis para o criador. Concorrência significa ninguém lucrando, nenhuma diferenciação significativa e uma luta pela sobrevivência.
  • Em termos simples, o valor de uma empresa hoje é a soma de todo o dinheiro que ela ganhará no futuro.
  • Mas sair na frente é uma tática, não uma meta. O que realmente importa é gerar fluxos de caixa no futuro, de modo que ser pioneiro não traz nenhum benefí­cio se outra pessoa aparecer e o desalojar. É bem melhor ser o último – ou seja, fazer o último grande progresso num mercado especí­fico e desfrutar anos ou mesmo décadas de lucros monopolistas.

The Effective Executive

Esse livro – The Effective Executive – é de autoria de Peter Drucker e foi escrito em 1967, muito antes de 90% dos meus leitores terem nascido, hehe.

Porém… É algo como a Bí­blia. Sempre tem algo interessante e valioso para quem inicia na carreira ou é gestor experimentado. Dê uma olhada:

  • A primeira prática é perguntar o que precisa ser feito. Observe que a pergunta não é “O que eu quero fazer?”.
  • Os executivos são fazedores; eles executam. O conhecimento é inútil para eles até que seja traduzido em ações.
  • Bons executivos focam em oportunidades; não em problemas. Problemas precisam ser resolvidos, é claro. Mas a solução de problemas, por mais necessária que seja, não produz resultados. Previne danos. Explorar oportunidades produz resultados.
  • Eficácia, em outras palavras, é um hábito; um complexo de práticas. E práticas sempre podem ser aprendidas.
  • A causa mais comum de falha do executivo é a incapacidade ou falta de vontade de mudar com as demandas de uma nova posição. O executivo que continua fazendo o que fez com sucesso antes de ser promovido está quase fadado ao fracasso.

Inteligência Artificial – Como os robôs estão mudando o mundo, a forma como amamos, nos relacionamos, trabalhamos e vivemos

Kai-fu Lee trabalhou na Apple, Google e Microsoft. O sujeito é um dos expoentes no assunto inteligência artificial no mundo. Ele revela o novo (ecs, novo normal, novo mundo) mundo que se descortina no seu livro Inteligência Artificial. Apresenta um histórico do Deep Learning, as eras da inteligência artificial etc. Alguns excertos:

  • Os empreendedores bem-sucedidos da internet chinesa chegaram onde chegaram conquistando o ambiente competitivo mais cruel do planeta. Eles vivem em um mundo no qual velocidade é essencial, a cópia é uma prática aceita e os concorrentes não hesitam em fazer qualquer coisa para conquistar um novo mercado. A única maneira de sobreviver a essa batalha é melhorar constantemente o produto, mas também inovar em seu modelo de negócios e construir um “fosso” em torno de sua empresa.
  • Startups do Vale do Silí­cio crescem num tipo de ambiente motivadas por uma missão. Em contrapartida, a cultura de startups da China é o yin do yang do Vale do Silí­cio: em vez de serem motivadas por uma missão, as empresas chinesas estão, em primeiro lugar, voltadas para o mercado. O objetivo final delas é ganhar dinheiro, e estão dispostas a criar qualquer produto, adotar qualquer modelo ou entrar em qualquer negócio que realize esse objetivo.
  • A China já está muito à frente dos Estados Unidos como o maior produtor mundial de dados digitais, uma diferença que está aumentando a cada dia. As gigantes do Vale do Silí­cio estão acumulando dados de sua atividade em suas plataformas, mas esses dados concentram-se fortemente em seu comportamento on-line, como pesquisas feitas, fotos carregadas, ví­deos do YouTube assistidos e posts “curtidos”. Em vez disso, as empresas chinesas coletam dados do mundo real: o quê, quando e onde das compras fí­sicas, refeições, reformas e transporte.

Tolerância

Tolerância é livro de Roger-Pol Droit. Publicado na França em 2016 e bem atual para nossos tempos onde a “intolerância” pega firme em todos os meios digitais, rodinhas de amigos e tal. Parece que estamos polarizando cada vez mais nossas opiniões. Não só no Brasil, mas em boa parte do mundo.

  • Por trás das redes sociais, por trás do celular, por trás dos dedos, há um ser humano intolerante, convicto de que as únicas verdades são as suas.
  • Apesar de tudo, a noção moderna de tolerância tem uma história ligada ao cristianismo e às guerras de religião do Renascimento.
  • Tolerar os gostos dos outros é fácil. Tolerar outras verdades fundamentais diferentes das nossas é difí­cil.
  • A tolerância tem necessariamente limites.
  • Não se interessar pelos outros é também uma maneira de ser tolerante. Menos animada, menos calorosa, concordo, mas o importante é não transformar as diferenças em confrontos. Pode se resignar, simplesmente, à presença dos outros e a seu modo de viver. Mas ainda assim é uma forma de tolerância, mesmo que seja a menor, a menos calorosa.

O efeito gatilho

O efeito gatilho foi escrito pelo reconhecido coach norte-americano Marshall Goldsmith. A sua ideia é que devemos aprender a lidar com os gatilhos que nos induzem, dentro do ambiente profissional, a condutas que não trazem os melhores resultados. E claro que pode ser transposto para nossa vida pessoal.

  • Não conseguimos admitir que é preciso mudar – ou porque não temos consciência de que uma mudança seria desejável ou porque, mais provavelmente, estamos cientes disso, mas elaboramos desculpas racionais para negar a necessidade de mudança.
  • Recorremos a um conjunto de crenças que apertam o gatilho da nossa negação, resistência e, em última análise, do nosso autoengano.
  • O ambiente é uma máquina magní­fica de redução da nossa força de vontade.
  • A premissa de Hersey e Blanchard é de que os lí­deres precisam adaptar seu estilo para ficar em sintonia com o perfil e desempenho dos membros de sua equipe. Esse perfil e desempenho varia de pessoa para pessoa e também por tarefa.
  • A frase de Peter Drucker ficou famosa: “Metade dos lí­deres que eu conheço não precisam aprender o que fazer. Eles precisam aprender o que parar de fazer”.

Em busca de sentido

Acho que é a décima vez que releio o livro Em busca de sentido de Viktor Frankl. Volta e meia leio uma obra que faz referência a uma nova interpretação das palavras de Viktor. Isso abre uma porta secreta que não imaginava existir e lá vou eu reler o texto original.

O autor foi um sujeito que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e de uma maneira muito peculiar, o que lhe ajudou a ultrapassar de uma forma bem-sucedida as agruras e absurdos do ambiente (falta de comida, falta de roupas, abusos fí­sicos e todos os terrores).

  • No campo de concentração todas as circunstâncias conspiram para fazer o prisioneiro perder seu controle. Todos os objetivos comuns da vida estão desfeitos. A única coisa que sobrou é “a última liberdade humana – a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias“.
  • Também o humor constitui uma arma da alma na luta por sua autopreservação.
  • A experiência da vida no campo de concentração mostrou-me que a pessoa pode muito bem agir “fora do esquema”. E mesmo que tenham sido poucos, não deixam de constituir prova de que no campo de concentração se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas.
  • Nietzsche: “Quem tem por que viver aguenta quase qualquer como”.
  • O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O que ela necessita não é descarga de tensão a qualquer custo, mas antes o desafio de um sentido em potencial à espera de seu cumprimento.

A bailarina de Auschwitz

Edith Eger é o nome da autora da biografia A bailarina de Auschwitz. Veja que é outro livro parecido com “Em busca de sentido” que li durante esse perí­odo de pandemia. Situações nada similares com campos de concentração, mas de certa maneira a pandemia também é um ambiente de restrição de liberdade (no caso, durante a pandemia, por conta própria), dificuldade de obter sustento e tudo o mais.

Edith Eva Eger era bailarina e ginasta até os 16 anos na Hungria, quando foi despachada a Auschwitz com sua famí­lia. Seus pais foram enviados à câmara de gás, mas ela e a irmã sobreviveram. Edith foi encontrada pelos soldados americanos em uma pilha de corpos dados como mortos. Trechos de uma entrevista ao Estadão:

  • Eu posso te inspirar a entender que não é o que está acontecendo que importa. O que importa realmente é a maneira como você vê as coisas. Então, eu gostaria de ser sua oftalmologista e lhe dar uma perspectiva diferente. De que não existem problemas no mundo. Não há problemas, há apenas desafios. E não há falhas, há apenas transições.
  • Sabe, todos nós temos um Hitler dentro de nós e ao mesmo tempo temos bondade e gentileza.
  • Essa é nossa responsabilidade e nossa luta: compreender nossas próprias expectativas versus tentar atender as expectativas dos outros. Meu pai se tornou um alfaiate porque o pai dele não permitiu que ele se tornasse médico. Meu pai era bom na sua profissão, era recomendado e premiado pelo seu trabalho, mas nunca quis aquilo e sempre lamentou seu sonho não realizado. É nossa responsabilidade agir em nome de nosso verdadeiro eu. í€s vezes isso significa abrir mão da necessidade de agradar e obter a aprovação dos outros.

Nossa cultura, ou o que restou dela

O autor de Nossa cultura é Theodore Dalrymple. Bem, o livro na verdade é uma reunião de vários artigos desse médico psiquiatra e escritor britânico. Peguei da Wikipedia:

Em seus escritos, Daniels argumenta que as visões socialmente liberais e progressistas prevalecentes nos cí­rculos intelectuais ocidentais minimizam a responsabilidade dos indiví­duos por suas próprias ações e minam os costumes tradicionais, contribuindo para a formação de uma subclasse afetada por violência endêmica, criminalidade, doenças sexualmente transmissí­veis, dependência de bem-estar e abuso de drogas.

Excertos:

  • Retirar a responsabilidade individual dos atos dos indiví­duos, eis uma das barreiras mais importantes que acabou enfraquecida ou derrubada no mundo moderno. As teorias que transformam todo criminoso em ví­tima de forças maiores, da “sociedade”, ou o relativismo moral que proí­be julgamentos objetivos, contribuí­ram sobremaneira com o avanço do mal nas sociedades ditas civilizadas.
  • O paternalismo cria uma legião de “crianças” mimadas, petulantes, que demandam mais e mais e nunca aceitam se implicar em seus problemas.
  • Descobri que a única coisa pior que ter uma famí­lia é não ter uma famí­lia.
  • Nenhuma quantidade de anos na prisão se equivale ao assassinato e à tortura de crianças: caso isso fosse possí­vel, o perí­odo de detenção poderia ser antecipado, e a pessoa, quando o tivesse cumprido, estaria autorizada a cometer crimes.
  • Em outras palavras, é preciso colocar restrições sobre nossas inclinações naturais, as quais, se deixadas ao seu próprio capricho, não nos levam automaticamente a fazer o que é bom para nós; mas, de fato, geralmente nos conduzem ao mal. Essas restrições não são apenas necessárias, mas trata-se de uma condição indispensável para a existência civilizada.

Tí­tulos adicionais

Tem um monte de outros tí­tulos em leitura:

  1. 21 letters on life and its challenges – Charles Handy
  2. O método Bullet Journal – Ryder Carrol
  3. Mais Seneca, menos Prozac – Clay Newman
  4. The Passion economoy – Adam Davidson
  5. Filosofia para a vida – Jules Evans
  6. Foco – Daniel Goleman
  7. Uncommon Service – Frances Frei
  8. 23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo – Ha-Joon Chang
  9. Um cavalheiro em Moscou – Towies Amor
  10. Superprevisões – Dan Gardner
  11. O poder das circunstâncias – Sam Sommers
  12. Inside the Nudge Unit – David Halpern

Como estão bem adiantados, até o final do ano teremos novo resumo aqui, hehe.

Lembretes

Ainda use máscara!

E não esqueça que em 09-10-12 de dezembro, nova edição do curso Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk.

Será em São Paulo e com adoção dos protocolos sanitários – a) medição de temperatura na entrada, b) máscara para todos os alunos e trocadas de 2 em 2 horas e c) álcool gel.

Saiba mais em www.4hd.com.br/calendario.

Por que a vida não pode parar (desde que tomemos os cuidados necessários!).

Abrazon e tudo de bom a vocês,

EL CO

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