Literatura lida em setembro e outubro de 2013

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Então…

Sigo firme na promessa de não comprar um único livro fí­sico esse ano. Estamos em plena Feira do Livro em Porto Alegre e comprarei o único livro desse ano por que é obra de meu padrinho de casamento, o qual estará autografando na feira.

Não que a tentação não me provocasse o ano inteiro. Só que adotei uma tática: fotografo com meu celular todos os livros que acho interessante, prometo a mim mesmo que irei pesquisar e depois… Esqueço, hahaha.

Vamos lá então:

A arte de pensar claramente

a arte de pensar claramente 2

O autor pegou um conjunto de cacoetes que cometemos todos os dias e esmiuçou-os. Originariamente eram artigos que publicava em um jornal. Reuniu todos e virou um livro. Bem legal, o autor é Rold Dorelli e a obra tem 216 páginas na versão brasileira. Curioso, na versão em inglês que encontrei na Livraria Cultura a quantidade de páginas é bem maior.

No livro, explica como a gente se apega mais à perda do que ao ganho (o que explica a dificuldade de muita gente em se livrar de cacarecos ou desistir de projetos fracassados); a ilusão do corpo de nadador (muita gente nasce pré-disposto geneticamente, mas as propagandas não dizem isso); o viés da autoridade (algo de psicologia social que tenho explorado no curso Tudo que um gestor de suporte deveria saber); expectativas do tipo “tudo vai piorar antes de melhorar”, só que nunca melhora, haha;e outros comportamentos.

Recomendo. 

Nos bastidores da Nintendo

livro nos bastidores da nintendo

Para os fanáticos por games, uma leitura obrigatória. Jeff Ryan explica em 256 páginas o iní­cio da empresa, um japonês empreendedor chamado Hiroshi, cujo avô fabricava cartas de baralho – oié, brothers, foi aí­ que nasceu a Nintendo, que significa “deixar o destino nas mãos do céu” ou “fazemos o possí­vel”, bem a calhar com jogos de azar. O cara tentou o ramo de motéis, táxi, arroz e voltou para as cartas.

O livro conta de maneira bem detalhada – às vezes chata -, como surgiu o Mario Bros, um gorducho de meia idade que pula sobre cascos de tartaruga e fez um tremendo sucesso. Ah, explica também o surgimento do Donkey Kong, a contratação do genial Myamoto para design dos games, a concorrência com o Sonic, a decisão de não entrar nos jogos sanguinários e como tudo desencadeou no Wii, uma tremenda sacada aplaudida por donas de casa que não queriam seus filhos na sala espumando sangue e horrores.

Recomendo para empresários e para todos aqueles que desejam um revival do Game Boy, Atari, PlayStation, XBOX e outros fornecedores de hardware (que estão perdendo clientes em função da internet).

De onde vêm as boas ideias

livro de onde vem as boas ideias260 páginas com um viés cientí­fico-jornalí­stico sobre criatividade, autoria do Steven Johnson.

O livro é bom e se baseia nos seguintes pilares: o possí­vel adjacente (boas ideias surgem onde tem mais gente, como grandes cidades); as redes lí­quidas facilitam que um conhecimento escorra pelos caminhos e chegue até alguém que terá um estalo, um insight. A intuição lenta significa que nem tudo ocorra um repente. Pode parecer, mas é fruto de um longo acumular de pensamentos que aí­ sim, numa determinada hora, se combinam e geram algo novo que é caracterí­stica daquelas descobertas que acontecem por caso em função de um fato qualquer, do qual o pesquisador extrai um novo conhecimento; o erro, que promove também novas descobertas; a exaptação, algo desenvolvido para um determinado fim que também serve para outro (as penas de aves as protegiam, mas acabaram servindo para dar flutuabilidade nos voos). E finalmente as plataformas, algo como os cafés de antigamente onde todo mundo se reunia e o ambiente ebulia de conhecimento e promovia novas ideias.

Recomendo, mas não pense que a leitura é fácil. É hard.

José Dirceu: a biografia

livro dirceu a biografiaUuuuuuuuuuuu… O livro de Otávio Cabral pega o sujeito na sua adolescência, seu jeito carismático e elegante (em especial para as mulheres) de ser sedutor e como foi eleito para o centro estudantil durante a ditadura e tornou-se deputado e depois ministro. Seus contatos iniciais com Lula e outros figurões no PT. Como morou em Cuba, tornou-se o brasileiro preferido de Fidel e por que fez a plástica que reformatou seu rosto.

Detalha como aconteceu o rolo do mensalão (boa parte gerada pelos pedintes de todos os partidos envolvidos que também queriam, queriam, queriam money) e como saiu ministro sem eira, nem beira, nem um pila sequer.

Decidiu então ganhar dinheiro e passou a representar A Votorantim, a Vale, a Camargo Corrêa nos paí­ses latino-americanos, cobrando cem mil reais por mês e mais comissões por sucesso que, por vezes, alcançavam um milhão de reais. Em seis anos sua empresa de consultoria teria faturado mais de 40 milhões de reais graças a sua habilidade e influência polí­tica.

Recomendo muito.

Dos democratas aos reis

livro dos democratas aos reisMichael Scott, em 308 páginas, faz um repasse da Grécia democrática até aquela posteriormente dominada por reis estrangeiros (em especial, os da Pérsia e Macedônia) e como algumas cidades se comportavam em relação a isso. Atenas, por exemplo, em função da sua dependência de alimentos do exterior, sempre navegava conforme os ventos dominantes. Esparta e Tebas já mantinham posições firmes, mas nem sempre.

Revê os pensadores da época no seu cotidiano (e como todos acabavam morrendo em função da mera opinião da massa democrática), o funcionamento democrático (que era mesmo, mas somente para os cidadãos), como aconteceram delitos financeiros promovidos pelos polí­ticos até chegar a Alexandre, respeito às Olimpí­adas (todas as guerras eram suspensas), e os fatos históricos e polí­ticos.

Gosta de história grega? Leia. Gosta de polí­tica, leia também.

Faça o que tem que ser feito

livro faça o que tem que ser feitoLivrinho bom para quem deseja promover proatividade nos funcionários. Tem 144 páginas, mas margens generosas e espaço duplo ou triplo entre linhas, hahaha.

Seu principal foco é botar pilha nas pessoas para não ficarem esperando e partirem a resolver os problemas, conquistando com isso valor e importância dentro da empresa.

O autor é Bob Nelson e recomendo apenas para aqueles que possam comprar um monte de exemplares e dar para cada funcionário.

Kafka para sobrecarregados

livro kafka para sobrecarregadosO autor colocou o subtí­tulo de “99 pí­lulas de sabedoria para lidar com a loucura do dia a dia” para ver se chamava ainda mais atenção, além do nome do escritor Kafka.

Percy Allan é especialista em pegar escritores e filósofos (Nietszche, Oscar Wilde, Herman Hesse), extrair algumas “lições” do mesmo, mastigar e entregar prontinho pros leitores.

Li e detestei, nem vou ler os outros da coleção.

Não recomendo.

O cidadão de papel

livro o cidadao de papelGilberto Dimenstein mostra como os direitos humanos são deixados às favas no Brasil e como o ser humano é depreciado, em especial os mais pobres.

Entender a relação de fome, violência juvenil e falta de escola ajuda a diminuir os problemas futuros (e atuais) do paí­s. Uma frase boa: “Nenhuma nação consegue progredir sem investir na educação, o que significa investir na infância. Por um motivo bem simples: ninguém planta nada se não tiver uma semente.”

Como os bandidos não são mais profissionais e sim o pivete da esquina. As meninas prostituí­das para ajudar nas famí­lias e como os policiais promovem o aborto das mesmas, espancando-as.

Livro pequeno e pesado, paradoxalmente. Recomendo.

Fim de ano chegando…

Mas a gente não para aqui só por que 2013 está findando.

Já lançamos um novo curso, faremos um review dos atuais para 2014 e vem muita coisa aí­. Mas o ano que vem também será curto (em fevereiro e maio não vou trabalhar, e pelo visto nem em junho, perí­odo da copa).

Abraços,

EL CO

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