Literatura lida em março e abril de 2013

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A novidade é que meu Kobo pifou.

Simplesmente não dá mais boot pelo botão que deveria fazer isso. Sou obrigado a conectá-lo ao computador e enfiar um clipe no buraco de reset (take easy, mentes maliciosas). Já conversei com o time de suporte da Kobo por email e são ótimos.

E o time da Livraria Cultura também. Ligaram-me e disseram: “- Venha na loja trocar.” Tudo muito rápido e eficiente, como não estamos acostumados, hehe.

Anyway, consegui ler alguma coisa durante o bimestre passado. Seguem as dicas de nove livros devorados:

The Cathedral & The Bazaar

cathedral-and-the-bazaarAh, uma literatura rápida e antiga (mas nem por isso menos valiosa). Dos tempos em que se discutia como o software livre devia ser desenvolvido. Na verdade, nem chega a ser um livro; é mais um ensaio, pois tem apenas 48 páginas (na edição revista e “expandida”).

Eric Raymond faz um debate entre dois estilos de desenvolvimento de software livre:

A Catedral, onde um grupo especí­fico de programadores trabalha no código, produz releases regulares etc. É quase o método tradicional de software proprietário.

O Bazar, onde todo mundo faz código, em qualquer lugar, em qualquer canto do mundo, etc. e eles são agregados – se aprovados – ao código principal. É o estilo Linux.

Bom, o livro resume dicas de programação e controle do projeto, como encontrar um sucessor quando você não quiser mais tocar o projeto, liberações seguidas de versões e releases, construir uma boa relação com os beta-testers etc.

Cinquenta tons mais escuros

Rapaz… Ou guria… No final do livro anterior, a Anastasia detonou o Christian por que não aguentava mais suas loucuras. Mas como o amor também é louco, eles voltam. Em 438 páginas, escritas pela E. L. James, temos a continuação do primeiro sucesso.

O rolo todo da história vai progredindo na medida em que a nossa personagem principal descobre aspectos do passado do Christian. Um misto de compaixão, horror e outros sentimentos invadem a Srta Steele (e o leitor).

Aparece o psiquiatra de Christian na parada, meu.

Muita gente detona esse tipo de literatura, em especial por que faz muito sucesso, torna-se um best-seller etc. Bom, não entro no mérito de qualidade  do texto. O que posso afirmar é que li avidamente a história. Isso pra mim basta.

Cinquenta tons de liberdade

Uma danação. Entramos na leitura do volume final sabendo que será o último. Só que a essa altura já se sabe que serão as últimas 475 páginas.

Bom, os chiliques do Christian Grey são vencidos, finalmente. Eles casam – hahaha – minha esposa não queria me dizer isso.

Uma trama extra acontece para deixar os leitores aflitos e agoniados.

Mas apreensivo mesmo fiquei quando acabei a leitura. Fiquei órfão. Não leria mais textos sobre Anastasia Steele e Christian Grey. Sabe o que é isso? Depois de uma convivência í­ntima, acabou.

Agora é esperar o filme. Que será um desastre, pois raramente consegue traduzir em imagem e movimento aquilo que fantasiamos com o cérebro.

É isto um homem?

Radicalizei. Fui ler as experiências – se é que podemos chamar  assim a vida abaixo da linha de miserável dentro de um campo de concentração nazista – escrita pelo judeu italiano Primo Levi.

São 165 páginas. Que demoram a passar.

Diferente de outras literaturas sobre o tema, Levi descreve o dia a dia. Acordar, esconder os vasilhames da sopa, senão alguém te rouba; ir para o trabalho forçado, quase sem roupas, na neve e com os dedos quase quebrando; sua experiência sendo transferido para um “laboratório”, o momento em que os nazistas são expulsos do campo e como abandonam os presos à própria sorte e…

Voilà, como é bom estar vivo.

Em busca do sentido

em-busca-do-sentidoNo clima de campo de concentração, catei o livro do Viktor Frankl. São 128 páginas, mais curtinho que o anterior. O viés apresentado por esse autor que também conseguiu se safar (ou sobreviver?) aos campos de concentração, é um pouco diferente.

A descrição da vida no campo é curta para que ele possa explorar melhor a Logoterapia, um sistema teórico que diz que o sujeito precisa encontrar um sentido na vida. Se não tem uma meta, um objetivo, algo que valha a pena viver, ele morre (ainda que vivo).

E pra isso usa sua experiência no campo.

Veja mais na Wikipédia – Viktor Frankl.

Mau humor – uma antologia definitiva de frases venenosas

Uma coletânea feita pelo Ruy Castro, reconhecido jornalista e escritor do centro do paí­s, que juntou em 141 páginas, umas 1.700 frases que publicara em outras obras.

São aquelas frases que a gente fica louca para dizer (algumas vezes escrevo mesmo), diante de situações escabrosas.

Antigamente se reunia coletâneas de aforismos e ditados chiques para colocar nos iní­cios de capí­tulos de livros ou até dentro de textos.

Hoje a coisa tá mais hard, hahaha, e já estou juntando algumas para meu debate na Conferência HDI 2013 com o Fernando Baldin sobre Autosserviços.

Só as lights, Baldin, só as lights.

A revolta de Atlas

Eu li a coleção de três volumes escritos pela Ayn Rand, uma russa que se mandou para os Estados Unidos. Um romance de 1.276 páginas que conta uma história ficcional no próprio Estados Unidos sobre um panorama algo conhecido de nós, brasileiros.

Os Estados Unidos começam a se orientar para  tudo pelo social. Então a parte produtora da sociedade (indústria, comércio, agricultura) é obrigada a se sujeitar a coisas malucas, como pagar mais os funcionários, sem poder repassar os custos para o preço dos produtos.

Aqui em Porto Alegre teve uma coisa parecida: 30% das pessoas que andam de ônibus não pagam. São idosos, carteiros, pessoas do exército, doentes mentais, estudantes que pagam metade etc. E a Câmara Municipal continua produzindo gratuidades desse tipo. Além disso, existe também o dia GRÁTIS, uma bolação da prefeitura dos tempos do PT: qualquer um pode andar de ônibus nesses dias sem pagar nada. Legal pra população.

E quando os empresários pediram para aumentar o preço da passagem (os custos sobem, todo mundo vê), aconteceu grita geral. Ou seja, fazer caridade com o dinheiro dos outros é mole. E é óbvio que as empresas quebram se não conseguem se sustentar.

A Ayn é filósofa e tenta transmitir os conceitos do objetivismo pelo livro. O lance é ser egoí­sta. Se eu for, pensando em mim e em fazer dinheiro, eu batalharei e moverei a economia, gerar empregos etc. Se eu dou tudo pelos outros (filosofia judaico-cristã), chega uma hora em que não tenho mais tesão em ser eficiente, em melhorar as coisas. Atiro-me nas cordas e vou curtir salário-desemprego como os outros (isso é outra piada… Seguro-desemprego faz com que muita gente, em vez de correr atrás, fique descansada, numa boa, etc.).

Sonho grande

Gancho no livro acima.

A Cristiane Correa mostra em 238 páginas como as feras do Banco Garantia largaram a área bancária e compraram as Lojas Americanas, depois Submarino e então a Brahma. Dela, compraram sua concorrente principal, a Antartica.

Caramba, não se atiraram nas praias do Caribe para curtir a vida. Foram atrás de novas oportunidades.

Pegaram a ALL (transportes ferroviários) e a transformaram numa baita empresa. A Brahma e Antartica que haviam virado AMBEV, foram atrás de uma empresa europeia e compraram a Interbrew (fabricante da Stella Artois).

Comprar e fundir é quase tudo igual e então foram atrás da americana… Budweiser. Agora, compraram o Burger King e também as maioneses Heinz.

O livro tem poucas receitas de sucesso, mostra apenas como as coisas aconteceram; mas algumas delas são notórias:

  • Não perca tempo reinventando
  • Meritocracia
  • 20% vira sócio, 70% ganha comissão e 10% é demitido
  • Pra ganhar dinheiro, precisa fazer os outros ganharem também
  • Tem outras, mas convém você ler também

The customer service survival kit

customer service survival kitO último do bimestre com suas 208 páginas.

Cansei de esperar a versão em português, comprei logo em idioma inglês.

É quase uma recapitulação dos outros livros do Richard Gallagher. Vou transformar em um curso meu esse livro. Por que ele ajuda a compreender que frases citar ao cliente, como tratá-lo, etc. e tal.

Detalhes maiores podem ser encontrados num outro artigo que escrevi recentemente:

Desculpe, senhor… Essa é a nossa polí­tica de atendimento

 Amazon, compre aqui com um clique

Baita sacada da Amazon. Encontra o livro, clica ali no botão e ele já está no seu computador. Para leitores vorazes, um perigo gigante para os bolsos (ou cartões de crédito), hahaha.

Mas que é prático, ah isso é.

Sudae, men and girls.

Abs,

EL CO

 

 

3 comentários em “Literatura lida em março e abril de 2013”

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