Gauchadas em Saint Paul

Bah.

Prezado leitor, tudo começou quando resolvi aproveitar a promoção da GOL “Compre sua passagem e ganhe o trecho de volta de graça“.

Desatento, acabei comprando com ida e retorno. Mas por Guarulhos, lá no final-do-mundo. Lugar que detesto e tenho más lembranças…

Momento 1

OK, quinta-feira passada nosso avião chegava em Sampa, ruí­do de trem-de-pouso baixando e…

Ruí­do de trem-de-pouso sendo recolhido?!

“Senhoras e senhores: a torre aérea informa que, devido ao mau tempo, continuaremos rodeando o aeroporto por mais 20 minutos..”

Daqui a pouco mais outro anúncio de novo incremento de 20 minutos.

Enfim, pousamos. Como lixo sendo jogado no caminhão pelo lixeiro. Ploft!

Caminhei até o serviço de ônibus em busca daquele que vai até Praça da República. Seu “XX” (não quero identificá-lo) disse que chovia desde a madrugada e todos os ônibus estavam atrasados. Se eu fosse tomar um café, que fosse rápido, pois assim que chegasse o primeiro, ele embarcaria as pessoas e mandaria seguir.

E era mesmo, segundo o noticiário: Chuva e excesso de veí­culos provocam 183 km de lentidão em SP.

Caminhei dez passos na direção da cafeteria e fui abordado por um rapaz: “Senhor, posso levá-lo no meu carro até São Paulo.” Olhei para o Seu “XX” que me recomendou os serviços do rapaz. Perguntei que carro? Mostrou-me um Vectra com bancos de couro. OK, melhor que criar limo em Cumbica. E não era um fiatizinho Uno ou parecido. Vamo nessa.

Embarquei. Cinco quilômetros adiante o carro começa a engasgar. Olho o painel e vejo que falta gasolina. O rapaz diz que o carro tem gás.

Uma ova! Até tem chavezinha de gás, mas está falhando do mesmo jeito.

Debaixo duma yuta chuva, o carro pára de vez no acesso à Dutra.

Examino a situação: um acesso estreito, trocentos carros buzinando, caminhões, etc e o sujeito ali virando a chave desesperadamente.

E eu vendo a fria que me enfiei. E pensando numa solução de contorno, hehe.

Pára um carro pra ajudar. É do aeroporto. “Pra onde vai, meu irmão?” – pergunto, já í­ntimo e meio barraqueiro. “Pra Bragança Paulista!”, yuta azar!

Pergunto pro motorista do Vectra por que não liga pra assistência técnica, pai, irmão, alguém assim. “Estou sem celular”. Bah, eu tenho que me ferrar, mesmo! O sujeito não tem plano de contingência algum. É um otimista. E eu ainda mais por ter embarcado nele.

Pára um ônibus. De imediato, debaixo de chuva, pergunto: “Vai pra São Paulo?” A resposta é afirmativa e me atiro dentro dele. Pergunto onde e me responde: “Vila Guilhermina”. Pra mim tanto faz, sair dali do meio do nada é prioridade.

E vou eu conversando com o Rodrigues, que é gente boa, parou pra dar uma força, pois nem conhecia o sujeito do Vectra. O ônibus está vazio e vou ao lado dele, “na boléia”, até a vila.

Momento 2

Sexta-feira pela manhã, 10:30. Caminho distraí­do na Paulista, quase esquina com Pamplona. Uma Hilux embica pra subir na calçada e ingressar no estacionamento.

Olho. Sigo caminhando. Subitamente, aquele enorme caminhão avança a toda velocidade e passa na minha frente, rumo ao estacionamento. Mal dá tempo de dar uma leve porrada na janela com minha aliança.

O sujeito pára o veí­culo, baixa o vidro e grita: “Que que foi, ô filho-da-puta?”

Fico embasbacado e atônito olhando o sujeito. Ele sobre na calçada, área de pedestres, quase me atropela e ainda… Me xinga?! Desde quando os postes mijam nos cachorros? Tá tudo ao contrário nessa cidade…

Momento 3

Visito a 25 de março, ponto obrigatório quando vou a Sampa. Compro uma câmera digital pra filha e outros cacarecos (canetinhas marca-texto pro mulherio, pastas de projeto pro meu estilo GTD, etc.) no Armarinho Fernando.

Na rua, fico curioso com um camelô vendendo duas pedrinhas que fazem barulho quando jogadas para o ar. Não se passam cinco segundos e alguém me aborda: “Procurando o quê, chefia? Notebook, CD, games?” Respondo que nada, obrigado.

Pra me livrar da sarna, caminho mais adiante. Novamente sou abordado por outra fera. Não é possí­vel PARAR na rua sem ser abordado, haha. E nem no aeroporto, como veremos mais adiante.

Momento 4

Cumbica me traz lembranças horrí­veis.

Desgraçadamente, tive o azar de comprar uma passagem pela GOL que saí­a de Cumbicas. E em vôo internacional. Entro numa fila imensa – putz, imensa mesmo. E só pra ter o cartão de embarque lido pela maquineta de código de barras da atendente.

Em seguida, fila do Raios-X. Imensa. Apesar da proibição e um cartaz de dois metros de altura, muitas mulheres com tubos (cremes e cremes) maiores que 100 ml. A vaidade as impede de embarcarem tais coisas nas malas.

É preciso levar em mãos, pois nunca se sabe onde as malas vão parar (uma amiga foi e voltou pra Europa e sua mala, embarcada aqui, aproveitou e viajou um mês a mais, retornando a Porto Alegre muito depois da dona e sem ter dado as caras na Europa).

Livre da fila, uma coisa surpreendente: nos corredores da sala de embarque, camelôs autorizados a venderem “cartões de telefone internacional”.

Putz, ser abordado na 25 de março tudo bem, mas dentro do aeroporto internacional?!

Momento 5

Caminho pela freeshop. Páro nalgo que sempre me chama atenção: relógios Tissot.

Sou fissurado. Não compro nada pra mim, mas hay nessa minha cabeça um fetiche especial por esses cacarecos de medir tempo. Talvez por que eu seja obsessivo ou algo assim (se você trabalha em Help Desk e gosta de relógios, uau, está fadado ao sucesso, hehe).

Aliás, comprei meu número 3, um PRC 200 (vide imagem ao lado), denominado imediatamente de “O retorno do rei” – pois encerra a trilogia, assim espero -, nessa viagem. Olho o preço no mostruário e vejo que com a diferença poderia ir a Montevideo, comprar o relógio no freeshop, voltar e ainda sobraria um troquinho.

Bem que minha esposa avisou para nunca olhar preço do produto que já comprado.

(Aliás, na Santa Efigênia comprei um HD externo Samsumg 160 GB mais case por R$ 280,00. Não vou olhar o preço por aí­.).

Momento 6

A felicidade está nas pequenas coisas. Desembarco em Porto Alegre. Na saí­da do portão, 00:10, minha prenda querida (há mais de 25 anos) me aguarda. Ela – assim como você – ouve toda a minha jornada por terras estrangeiras.

Mês que vem estou novamente em Sampa. Dessa vez pra conferência sobre métricas!

Abraços

El Co

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