MSP e os ciberseguros – a complexidade da sua atividade aumenta

MSP’s têm uma complexidade alta nas suas atividades.

Além dos aspectos (e problemas) de gerenciar a operação que discuto semanalmente, ainda há algo despontando no horizonte:

CIBERSEGUROS

Ciberseguros

Chamá-los-ei (ai, que lindo!) assim por que detesto usar nomenclatura sofisticada incompreensível pelos insiders.

Você sabe, é aquela apólice de seguro para proteger empresas contra prejuízos financeiros (principalmente) causados por ataques cibernéticos e incidentes digitais.

Fato é: cibergolpe está na mídia a todo instante. Os clientes estão ficando sensibilizados (gerúndio: ainda há resistência) por variados fornecedores e a sociedade vem acatando preocupações com a cibersegurança.

Acompanhe:

Quarta-feira estive presente numa reunião da Associação de Moradores do bairro com agentes de segurança (chefia do comando da PM, delegado da regional local, subcomandante da Guarda Municipal, secretário municipal etc.).

O delegado soltou essa: “mais de 50% dos crimes que investigamos são virtuais. Golpes cibernéticos.

Há uma delegacia especializada para golpes virtuais do “crime organizado”.

Mas a delegacia comum do meu bairro trata daqueles crimes aplicados não pelo “crime organizado”, mas pelos picaretas miúdos, os pés-de-chinelo.

Ou seja: a quantidade de BO’s de crimes virtuais numa delegacia de bairro é superior a assaltos, roubos, crimes contra honra, homicídio, feminicídios, acidentes de trânsito etc.

Seu cliente está (quase) sensibilizado

Há ainda clientes que resistem a contratar antivírus para todas as máquinas. “Só pro financeiro“, diz ele.

Mas a maioria paulatinamente compreende a migração do crime que vai do físico para o virtual. E provavelmente aceitarão suas recomendações de segurança (apesar de muitas não serão seguidas por falta de treinamento, desleixo etc.). São outros 500.

No seu caso, outros 500.000 (ou mais). Por quê?

Por que se o cliente assinar um seguro contra cibercrimes, pretenderá receber um ressarcimento por invasão, ransomware etc.

Meu guru bate nessa tecla periodicamente em seu blog.

Do seguro

O primeiro passo para o sujeito assinar um seguro será o preenchimento de um formulário. O MSP infanto-juvenil recomendará que preencha sim em tudo.

Diga não! Ou nem diga.

Vamos a um exemplo didático.

A seguradora não quer saber se o cliente usa MFA (Autenticação MultiFator) em alguns lugares, e sim em todos os lugares.

Essa discrepância, que a seguradora investigará durante a auditoria em caso de uma quebra da segurança, pode ser suficiente para negar a solicitação do cliente, deixando-o sem sua grana.

O passo seguinte mais provável? O cliente processar o MSP que “deu o conselho errado”.

LGPD

Ainda temos, forma incipiente, a LGPD. Por que a caracterizo dessa forma, “incipiente”?

Por que cotidianamente assistimos na mídia vazamentos horrorosos de dados e zero sobre punições (OK, pode haver sigilo, mas essa não é uma boa forma de educação).

Mas receber o reembolso do seguro é diferente.

A seguradora não pagará se constatar insegurança (claro que vai ter, pois esse é o elemento causador do pagamento do seguro). Mas se houver uma falha de segurança gritante…

Tropa de Elite: o bicho vai pegar.

Tecnologia, tecnologia, treinamento

Para acompanhar as exigências nesse mundo diabólico dos hackers do mau e que está em constante mudança, precisa realizar:

  • Atualizações periódicas de patchs, antivírus, firewall etc.
  • Testes dos backups e funcionalidades mais recentes
  • EDR (Endpoint Detection and Response)
  • SOC (Security Operations Center)
  • Toda uma lista de aplicações para impedir/bloquear vulnerabilidades — EcoTrust?

Aliás, põe na conta também cumprir requisitos adicionais de conformidade dos órgãos reguladores aos quais seus clientes estejam sujeitos — exemplo: se for um banco, investigue antes de aceitar o contrato.

Seguro próprio

Aliás, faça um bom seguro pra sua empresa de erros e omissões.

Por que se o pagamento de um seguro for negado a um cliente, uauuu, você já sabe.

Meu rei, faça isso. Pelo mesmo motivo que você tem um para o seu carro (tem, né?).

Um dia, algum colaborador cometerá uma mancada.

GOTO início.

Pois então…

Já é difícil:

  • Atender chamados
  • Lidar com a rotatividade
  • Gerenciar novos projetos
  • Incluir a IA nas suas tarefas (e trabalhar bem com ela, inclusive com suas mudanças — um cliente contou dia desses que usava o Microsoft Copilot e subitamente a rotina parou de funcionar por que a firma de Redmont sumiu com o parâmetro “Deep thought” que, assim como sumiu, voltou alguns dias depois)
  • Organizar o parquinho (sua empresa, onde você se diverte)
  • Motivar colaboradores
  • Avaliar os rumos do mercado e as novidades de prospecção comercial
  • Ah, desse jeito vou afogá-lo em lágrimas em plena quinta-feira…

Mas lembre-se:

É claro que onde há desafio, há oportunidade.

Se você está focado apenas no suporte técnico tradicional e não muito na segurança cibernética, você ficará para trás.

Abrazon

EL CO

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