Literatura lida em 2021

Yes, você não leu errado!

Estou publicando a lista de livros que li durante o ano crítico de pandemia, 2001, na minha opinião. Ou, pelo menos, o mais letal.

As confusões no ambiente político com uma exacerbada polarização, o clima de usa-tira-máscara e tudo o mais fizeram com que acabasse esquecendo de registrá-los no blog.

Mas agora vai e, no próximo artigo, seguirão os lidos em 2022.

A Administração

Quando mais leio sobre tendências de gestão no século XXI, mais percebo que a obra de Peter Drucker é universal.

O melhor de Peter Drucker: A administração é um compêndio, um conjunto de pensamentos expostos em outros livros e condensados aqui.

Algumas barbadas para o novo gestor (e talvez o mais antigo também):

  • Naquele tempo (1870), a única grande organização permanente era o exército. Portanto, não é nenhuma surpresa que sua estrutura de comando-e-controle tenha se tornado o modelo para os homens que estavam construindo ferrovias transcontinentais, usinas siderúrgicas, bancos modernos e lojas de departamentos.
  • Citando Frederick Taylor, todo mundo substituiu a expressão “trabalhar com mais afinco” por “trabalhar com mais inteligência”. Não é inovar a única e maior razão para o declínio das organizações existentes. Não saber administrar é a única e maior razão para o fracasso de novos empreendimentos.
  • O que o consumidor compra e considera como valor nunca é um produto. É sempre uma utilidade, isto é, algo que o produto faz para ele.
  • “Qual é o nosso negócio” só pode ser respondida examinando de fora o negócio, do ponto de vista do consumidor e do mercado.
  • O ambiente externo define o que a organização é paga para fazer.
  • O capital, contudo, é o único recurso-chave da organização e não é, absolutamente o mais escasso. O mais escasso de qualquer organização é o pessoal realizador.
  • Se designo uma pessoa para certo trabalho e ela não corresponde, eu cometi um erro.  “Todo soldado tem direito a um comando competente” era uma máxima antiga já no tempo de Júlio César.

A psicologia financeira

A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade de Morgan Housel, é importante ler.

Não por que o autor seja duas vezes vencedor do prêmio Best in Business da Society of American Business Editors and Writers, vencedor do New York Times Sidney Award e outras homenagens similares na área de finanças.

Mas por que escreve para o leitor simples e conjuga psicologia e economia para explicar decisões do ser humano que são ruins. E se você ler com mais acuidade, poderá aproveitar e modificar comportamentos pessoais.

  • Para entender por que as pessoas se atolam em dívidas, não é necessário estudar as taxas de juros, mas a história da ganância, da insegurança e do otimismo.
  • As famílias de baixa renda nos Estados Unidos gastam em média 412 dólares por ano em bilhetes de loteria, quatro vezes o valor gasto pelas famílias de alta renda. Quarenta por cento dos americanos não conseguem dispor de quatrocentos dólares em uma emergência. Ou seja, aqueles que gastam quatrocentos dólares por ano em bilhetes de loteria são, em geral, os mesmos que dizem que não conseguiriam dispor de quatrocentos dólares em uma emergência. Os fundos de emergência dessas pessoas são desperdiçados em algo que tem a chance de retorno de uma em milhões. Comprar um bilhete de loteria é o único momento da sua vida em que você pode sonhar de modo palpável em conquistar as coisas boas que essas pessoas já têm e com as quais nem precisam se preocupar. Elas estão comprando o bilhete por um sonho, e as outras pessoas não têm como entender isso, porque já estão vivendo um sonho. 
  • Sorte e risco são a expressão concreta de que todo resultado na vida é guiado por outras forças além do mero esforço individual. Você é apenas uma pessoa em um jogo com outras sete bilhões de pessoas e um número infinito de peças móveis.
  • É possível medir, estatisticamente, se algumas decisões foram acertadas ou não. Porém, no mundo real, no dia a dia, não fazemos isso. É complicado. Preferimos as histórias simples, que são menos complexas, mas, com enorme frequência, diabolicamente enganosas.
  • Mas nunca se esqueça de que nem todo sucesso se deve ao trabalho duro, e nem toda pobreza se deve à preguiça.
  • Ao lidar com dinheiro, a coisa mais difícil a fazer é parar de reajustar as metas para cima o tempo todo.
  • Diacho, a vontade é copiar o livro inteiro aqui, mas faltaria espaço para os outros.

A regra é não ter regra

Bem, sobre o A regra é não ter regras: a Netflix e a cultura da reinvenção de Reed Hastings e Erin Meyer já escrevi à exaustão.

Quem desejar referências, leia meus artigos:

A viagem do colaborador fagedênico

O gigantesco hiato entre nosso desejo e a realidade

Mas disso não posso me furtar:

  • Reduza o seu time até ficar apenas com os excelentes colaboradores.
  • Trate seus colaboradores como adultos. Um ciclo de feedback é uma das ferramentas mais eficazes para a melhoria de desempenho. Aprendemos mais rápido e produzimos mais quando tornamos o ato de dar e receber feedback parte contí­nua de como colaboramos uns com os outros. O feedback nos ajuda a evitar mal-entendidos, cria um clima de corresponsabilidade e reduz a necessidade de hierarquias e regras.

Pequeno manual antirracista

Homem negro é espancado até a morte em supermercado do grupo Carrefour em Porto Alegre.

Isso aconteceu no final de 2020.

Mas entrei 2021 pensando seriamente a respeito, pois não foi algo lá longe, mas aqui, em um supermercado que eu frequentava. Foi algo estarrecedor.

Se bem que hoje saiu a notícia de que um pai matou quatro filhos pequenos a facadas, depois de dopá-los, daí tenho uma brochada geral com o ser humano.

O livro Pequeno manual antirracista da Djamila Ribeiro, brasileira, é fácil de ler. Mas um pouco doloroso para quem for homem branco.

Por que mesmo alguém como eu, esclarecido, lido, com pós-graduação, judeu (povo que foi perseguido durante séculos por ser diferente), constato – dolorosamente – que tenho comportamentos racistas.

Algo que a Djamila chama de racismo estrutural.

Meu melhor amigo da infância era um neguinho que chamávamos de “mano”. Mas veja que curioso na minha frase: “um neguinho que…”.

Nunca chamei outros de “um branquinho que…”.

E aí revela-se o conjunto da obra de anos e anos acumulados de racismo. Similar a essa situação, aborrece-me imensamente quando alguém usa a “judiaria” para caracterizar um maltrato a alguém. Mas chamar alguém de “neguinho” acho até carinhoso. Mas é claramente revestido de uma capa racista 😥

Capítulos do livro:

  • Informe-se sobre o racismo
  • Enxergue a negritude
  • Reconheça os privilégios da branquitude
  • Perceba o racismo internalizado em você
  • Apoie políticas educacionais afirmativas
  • Transforme seu ambiente de trabalho
  • Leia autores negros
  • Questione a cultura que você consome
  • Conheça seus desejos e afetos
  • Combata a violência racial
  • Sejamos todos antirracistas

Cem dias entre o céu e o mar

Eita, li numa “sentada só”, como diziam os antigos, a obra Cem dias entre o céu e o mar de Amyr Klink.

A obra narra sua empreitada corajosa de atravessar o Oceano Atlântico dentro de um…

Barco a remo 😯 !!

Mais de 6.500 km sujeito a correntezas, tempestades, várias vezes o barquinho virou de cabeça pra baixo, encontro com baleias e outros animais marinhos, risco de ser “atropelado” por transatlânticos e navios de carga e mais uma lista de situações de arregalar os olhos de quem passa o dia inteiro sentado na frente de um computador.

E sozinho! Cem dias!

Leia esse trecho:

Nos dias que se seguiram, os tubarões, que até então se esfregavam no costado e no fundo de modo mais ou menos educado, começaram a dar golpes secos cada vez mais fortes, sempre em sessões de no máximo quinze minutos e, sobretudo, à noite.

Só então entendi o que se passava: o que os atraía, na verdade, não era o barco, mas os benditos crustáceos que se formavam no fundo. Com os golpes, eles soltavam os pequenos tufos que, ficando para trás, livres na água, eram avidamente disputados por dourados e outros pequenos peixes que não conseguiam, pelos próprios meios, arrancá-los. Os tubarões investiam, então, contra os pobres coitados.

Surpreendente e refinado método de caçar, para animais conhecidos pela falta de astúcia e diminuto cérebro.

Alimentação – Mitos e Factos

Alimentação, mitos e factos foi escrito por Isabel do Carmo que, pelo detalhe no título, percebemos que é de Portugal.  É médica endocrinologista e uma das maiores especialistas portuguesas em obesidade e comportamento alimentar.

Acho que sua leitura é efeito da idade, haha. Quando jovens comemos um jacaré inteiro no almoço e de sobremesa uma garça embrulhada em algas. Já aos 60′, um habitual milk-shake pode criar uma desgraça parecida com um terremoto.

  • Ora, de acordo com epidemiologistas da nutrição, muitas vezes misturam-se populações e hábitos gerais que não se podem misturar, dando ocasião a que um estudioso destes métodos, Eysenck, escrevesse no American Psychology, ironizando, que por vezes se misturava maçãs com laranjas e por vezes maçãs e caçadores de baleias.
  • Por exemplo, a relação entre o consumo de café e o infarto do miocárdio é diferente de pessoa para pessoa, conforme é um metabolizador rápido ou lento, o que é determinado por um gene específico. Portanto, nada de acreditar em títulos gerais, porque cada pessoa é um caso, ela e os seus genes. Com os conhecimentos atuais também se pode chegar a uma conclusão: quem tem uma genética familiar de câncer do cólon, deverá fazer uma prevenção com ingestão de ácido-fólico e, portanto, vegetais de folha verde.
  • Uma das modas que surgiu foi a de que estamos habitualmente intoxicados e precisamos nos desintoxicar. As bebidas detox inserem-se nesta tendência e no coquetel surgem alimentos diferentes conforme as fórmulas. Diga-se, em abono da verdade, que são geralmente alimentos saudáveis, como hortícolas, fruta e alguns frutos secos. Mas também lá entram sementes e frutos vindos da América Latina, dada a boa fama publicitada por quem os comercializa. Ou são mesmo bebidas detox (para limpeza) já engarrafadas e comercializadas. Teremos, então, de perceber porque é que estamos intoxicados e se o detox nos vai livrar das toxinas ou dos tóxicos.
  • A autora discute uma série de mitos, como a dieta Paleo em que era o regime alimentar de uma época muito diferente da nossa. Então é quase ridículo tentar uma alimentação daquele tipo, quando as demandas eram outras. E ela vai desfiando uma série de mitos: não se deve beber leite, se o glúten deve ser cortado da alimentação, evitar açúcar e gordura, ovos etc.
  • Não escapam do crivo da autora questões como jejuns intermitentes, dieta mediterrânea, regimes vegetarianos, dieta low-carb, chocolate, restrição no consumo de carne, Omega 3, vitamina D, nozes e canela, nem tudo que é natural é bom, suplementos vitamínicos e por aí vai.

Mas o mais importante: não é opinião de jornalista, bloguista ou coisa parecida. Mas de uma especialista na área.

A história do mundo em 50 frases

Aqui trata-se de uma coletânea para preguiçosos, haha.

Em A história do mundo em 50 frases, a autora Helge Hesse faz uma análise de importantes frases já ditas e como foram importantes.

Então sobre cada uma delas há uma leve dissertação sobre seu valor. Eis uma pequena lista, afinal são 50!

  • CONHECE-TE A TI MESMO – Tales de Mileto. Essa é boa para cada feedback que recebemos. É importante avaliar se faz sentido. Ou não.
  • O HOMEM É A MEDIDA DO UNIVERSO – Protágoras. “Tem que refazer tudo”, expressão geralmente adotada para algo não feito por nós. “Vamos aproveitar boa parte”, se a mesma coisa foi produzida por nós. É a mesma, mas o homem julga pela sua cabeça.
  • ERRAR É HUMANO – Marco Túlio Cícero.
  • OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS – Nicolau Maquiavel. Não estou a afirmar que todas as frases são benignas, tampouco o autor. Mas da sua importância. Essa é adotada pela maioria dos políticos. O ruim é não sabermos quais são os fins.
  • O CONHECIMENTO É PODER – Francis Bacon. Que o diga aqueles funcionários que compram ou vendem ações de suas próprias empresas às vésperas de um grande anúncio a ser feita por elas.
  • O HOMEM É O LOBO DO HOMEM – Thomas Hobbes. Guerra na Ucrânia. Tiroteios nos EUA. Massacre de presos no Carandiru. Racismo. Credo, a lista pode ser enorme de maldades que um ser humano pode fazer com outro.
  • O INFERNO SÃO OS OUTROS – Jean-Paul Sartre. Deve ser um pensamento que se instala na mente de 110% dos gerentes de suporte técnico sobre usuários e colaboradores que não se comportam como o esperado.
  • A BANALIDADE DO MAL – Hannah Arendt. Uma análise sobre como pessoas normais, engajadas ao nazismo, matavam seres humanos como se fosse mais uma tarefa de seu cotidiano.
  • EU TENHO UM SONHO – Martin Luther King. Similar à música Imagine de John Lennon, infelizmente, ainda orbita no universo paralelo, pois não existe igualdade entre os seres humanos.

Woody Allen: a autobiografia

Woody Allen: a autobiografia é algo revelador, pois esse estupendo humorista, acredito que um dos maiores que a humanidade já viu, viu-se mergulhado em um turbilhão de horrores publicado pela imprensa marrom quando largou de sua esposa e se casou com a filha (adotada).

A ex denunciou que ele havia abusado sexualmente de um filho. E como habitual, ele foi imediatamente “cancelado”, apesar dos julgamentos realizados o inocentarem.

É fácil o condenarmos, pois parece meio inadmissível que alguém se case com a própria filha (adotada). Porém, raras são as pessoas que vão ouvir o outro lado, no caso ele. E tudo parece muito factível quando explicado por Woody.

O livro é um relato desde sua infância, transpassa por esse problema, e vai adiante com sua vida posterior.

Independentemente da polêmica, segue sendo um grande humorista. Trechos do livro:

  • Eu me deparei com a mesma pergunta que incomodava o antigo príncipe da Dinamarca: por que sofrer com os tiros e flechadas quando posso apenas molhar meu nariz, enfiá-lo numa tomada e nunca mais ter de lidar com a ansiedade, o sofrimento ou o frango cozido da minha mãe? Hamlet escolheu não fazer isso porque temia o que poderia acontecer no além.
  • Mamãe me dava todos os dias umas boas sovas e era como na velha piada de Sam Levenson: “Talvez eu (mãe) não saiba o que você fez para merecer isso, mas você sabe”.
  • Eu não queria ir para a faculdade, confiante de uma carreira no show business, mas para evitar que minha mãe tacasse fogo em si mesma como uma monja budista, tentei a Universidade de Nova York.
  • Colocar um carro em minhas mãos era como dar um míssil balístico intercontinental para uma criança de três anos. O momento em que vendi o Plymouth foi como ter um tumor removido.
  • Meu nível de ansiedade acionava o sistema de incêndio do hotel.
  • Hoje, se eu me permitir qualquer coisa prazerosa, toca um alarme no consultório do meu cardiologista e sou colocado em prisão domiciliar. Tenho uma regra básica na vida: nunca ser hóspede de ninguém.
  • Não olhe para trás, Satchel Paige disse, algo pode estar vindo atrás de você. Eu seguia o conselho desse grande homem. Tentei nunca olhar para trás. Não gosto de viver no passado. Não guardo lembranças, fotos dos meus filmes, pôsteres, planilhas, nada. Para mim, quando acabou, está acabado. Não fique remoendo, siga em frente.
  • A vida é irônica demais para se compreender.

E por aí vai, a escrita do livro já muito engraçada, ao estilo do humor judaico, em que a pessoa se autodeprecia.

Factfulness

Factfulness: O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos de Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund é um livro que força as pessoas a pensarem sobre estatísticas e outras decisões baseadas em dados antigos.

Deste livro, confesso, ainda não fiz a revisão.

Geralmente salvo meus destaques para arquivo TXT, importo para um documento do Google e então vou assinalando em vermelho os aspectos que considero mais importantes. Aqui vai uma sinopse encontrável no site da Amazon:

Que porcentagem da população mundial vive na pobreza? Qual é o número de crianças vacinadas no mundo hoje? Quantas meninas terminam a escola? Quando confrontadas com perguntas simples a respeito das tendências globais, as pessoas sistematicamente dão respostas incorretas. Isso acontece quando nos preocupamos com tudo o tempo todo em vez de compreendermos as coisas como realmente são, e perdemos a capacidade de nos concentrar nas verdadeiras ameaças. Tomando emprestado o conceito de mindfulness (o ato de ter atenção plena nas experiências, atividades e sensações do presente), os autores propõem a ideia de factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos.

Inspirador, bem-humorado e cheio de histórias emocionantes, Factfulness é um livro urgente e essencial que mudará a maneira como você vê o mundo e o capacitará a responder melhor às crises e oportunidades do futuro.

O livro apresenta alguns testes iniciais de conhecimentos gerais para realizarmos. Sempre se erra quase 70%! Ou seja, nossas concepções são erradas!

Feito

OK, semana que vem tem mais. Os de 2022!

Abrazon a todos e boa leitura de final de ano (ou férias) se decidirem ler algum indicado.

EL Co

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