Tacocracia ou a pressa enaltecida

“Devagar se vai ao longe” e “Se tem pressa, vá devagar” são dois ditados populares (o segundo, na verdade, é do Saramago) sobre o ritmo desenfreado dos gestores

Sempre que visito algum gestor de suporte, recordo do Coelho Branco do livro Alice no país das maravilhas.

A frase tradicional do leporídeo é:

– Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!

Aquele cronômetro gigante sempre a recordar do tempo.

Diga aí você: na sua área de trabalho existe um gadget do Windows ou do Google exibindo um relógio (confesso: eu tenho, hehehe)?

Eu não vou fazer uma apologia à administração de tempo, mas sim a falta de oportunidade para realizar uma pausa e… PENSAR.

Há sete anos eu encontrei meu momento: ao iniciar o hábito do chimarrão.

Mario Sergio Cortella em seu pequeno, mas impactante livro Não nascemos prontos, registra um capítulo para a tacocracia.

Explica que tákhos, em grego, significa rápido. E reclama, ao menos interpreto assim, que estamos migrando para uma tacocracia:

“… na qual a rapidez em todas as áreas aparece como um poder quase despótico e como exclusivo parâmetro para aferir se alguma situação, procedimento ou relação serve ou não serve, é boa ou não.”

Quem não acompanhou o zum-zum-zum sobre as confusões com um final de semana horroroso da empresa aérea GOL? Que isso teria surgido de uma mudança de sistema mal feita. Pressa?!