Encerrar incidentes no ITIL V2 e V3

by El Cohen

faint_128Opa…

Tem coisa aí…

Na versão V2 do ITIL havia uma expressa recomendação para, após o incidente ter sido resolvido, encerrá-lo somente com a autorização/ permissão / concordância do usuário:

When the Incident has been resolved, the Service Desk should ensure that:

  • details of the action taken to resolve the Incident are concise and readable
  • classification is complete and accurate according to root cause
  • resolution/action is agreed with the Customer – verbally or, preferably, by email or in writing
  • (outros conselhos…)

Leram?

A versão 2 sugeria que o cliente (ou usuário) deveria concordar verbalmente (ou de preferência, por email ou escrito)  que o incidente havia sido reaaaaaalmente resolvido (ou com as ações a seguir).

Bem, na versão 3 surge algo novo nas melhores práticas:

Note: Some organizations may chose to utilize an automatic closure period on specific, or even all, incidents (e.g. incident will be automatically closed after two working days if no further contact is made by the user). Where this approach is to be considered, it must first be fully discussed and agreed with the users – and widely publicized so that all users and IT staff are aware of this. It may be inappropriate to use this method for certain types of incidents – such as major incidents or those involving VIPs, etc.

E qual é a novidade?

Uma flexibilização do encerramento:

“Algumas organizações podem utilizar um período para encerramento automático de um ou todos os incidentes (o mesmo será automaticamente fechado após dois dias de trabalho sem qualquer retorno do usuário).”

Mas… Hein?!

Vejo um ponto positivo e outro negativo nesse registro.

Aspecto negativo

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Primeiro, o aspecto negativo: a desenfreada e amalucada corrida de vários gestores para se adaptarem às melhores práticas da V2 sem ao menos pensarem no seu ambiente de trabalho.

Se isso parece coisa boba e irrelevante, imagine o impacto em muitos fornecedores de software que precisaram adaptar seus produtos para atender às necessidades do mercado (leia, gestores intransigentes nas “melhores práticas”).

Não foi ruim para os fornecedores, mas estarrecedora era a inflexibilidade do pessoal ao exigir tal função no produto.

Pense também na turma do Service Desk catando insistentemente o usuário para confirmar o encerramento do incidente. Ou as estatísticas dos prestadores de serviços de TI que precisam justificar um buzilhão de coisas.

livro-capaConvém lembrar que reconhecido autor (eu, eu!!!) do livro “Implantação de Help Desk e Service Desk” já citava os problemas que poderiam surgir nesse rigorismo.

Na página 91 do livro:

Alguns departamentos resolvem esse desinteresse estipulando um prazo para essa providência: dois ou três dias e então, se não ocorrer uma manifestação do usuário, encerram automaticamente o incidente.

Ora pois, não é a mesma ideia do texto avermelhado mais acima?

Aspecto positivo

haha_128Como um conjunto de melhores práticas, o ITIL V3 moderniza-se. E acompanha os tempos pós-modernos.

Muita coisa mudou desde quando foi lançada a V2 para a V3.

E é inegável que o TEMPO sumiu. Escasseou.

A competição gerou isso. O imediatismo. Os cacarecos e gadgets também. Os mecanismos de rede social consomem nosso tempo (Orkut, Twitter, blogs, comunidades virtuais no ning e mais um formigueiro de outros troços). As tarefas acumulam-se. A quantidade de opções (para carro, software, cotonete e cerveja e outras coisas) aumentou e exige mais tempo na tomada de decisão.

Ora pois, nem sempre é possível consultar e obter retorno do usuário sobre o incidente.

Não estou estimulando o relaxamento dos processos.

Mas uma coisa mais aderente à realidade que vivemos. Ou na que vivo, pelo menos, hahaha.

E super-legal que o ITIL modernizar-se nisso. Agora só faltam os gestores, hehe.

Abraços,

El Cohen