Eficiência x eficácia – Peter Drucker

by El Cohen

Criei uma categoria nova no meu blog denominada PETER DRUCKER.

Revendo meus livros sobre o mestre da administração moderna, encontrei várias anotações nas margens dos mesmos, sublinhados e comentários que considero interessantes ao nosso ambiente.

E assim, vou registrá-los aqui no blog, associando as idéias com o nosso cotidiano de Help Desk e Service Desk.

Bem, antes de mais nada, quem quiser conhecer mais Peter Drucker pode visitar o verbete correspondente na Wikipedia.

E de onde vem a polêmica para usarmos o conhecimento de Peter?

Da lista ITSM_BR do Yahoo, moderada pelo Gilberto Biasoto e que é um sucesso absoluto, com mais de 2.600 inscritos.

Evitarei citar nomes, mas vou inserir trechos do debate aqui no blog.

A questão apontada por um colega e que gerou a polêmica:

2) O ERP da empresa caiu, abrimos um chamado inicial para tratar do incidente, porém temos 200 ligações ao help desk sobre a indisponibilidade do sistema. Teríamos 201 incidentes ou 1 incidente e 200 chamados de informação?

Seguem as várias idéias e impressões apresentadas.

E quero comentar que é preciso respeitar as opiniões dos colegas, pois somos todos profissionais e cada um com um viés da realidade, em função da sua experiência, estudos, vida etc.:

1 incidente e 200 chamados de informação, correlacionados.

Nesse caso vc tem 201 incidentes e 1 problema. Se vc souber por que o ERP caiu, ele vira um erro conhecido, se não fica como problema, e talvez exista um workaround para isso. Exemplo, o ERP caiu porque o HD encheu, nesse caso vira um erro conhecido. De qualquer forma o registro de que esses 200 chamados estão ligados ao do ERP é fundamental.

2 – Este cenário já ocorreu várias vezes onde trabalho, neste caso o service desk é orientado a manter apenas um incident e sempre que aparecer outro é para atualizar com o primeiro, assim mantemos tudo centralizado num unico incident.

Convém não distanciarmos a teoria (modelo da realidade) da prática.

Talvez o bom-senso convide a não abrir 201 incidentes em função do inconveniente que traria em termos de esforço (talvez fosse mais adequado resolver logo o problema do ERP do que ficar abrindo duas centenas de incidentes).

No caso da indisponibilidade do sistema há 201 incidentes. O fato de um incidente ter causado 200 chamadas sem que os usuários tenham sido informados sobre a indisponibilidade do sistema é um problema que continuará a gerar vários incidentes registrados pelo held desk todos associados ao mesmo problema, neste exemplo a indisponibilidade do ERP.

Neste caso, observo a respostas dos demais participantes desta lista, abrir os 201 chamados para o incidente poderá sobrecarregar o service desk mas será o mais correto, porém fico a pensar que a razão de todos os chamados é a parada do ERP, e na prática há somente um incidente, os demais chamados podem ser relacionados ao primeiro, penso que os demais chamados apenas aumentam a urgência na solução, seja de contorno ou definitiva, vai depender de cada caso.

Uma das principais “funções sociais” das melhores práticas é a eliminação das ineficiências e desperdícios. Gerar 200 incidentes sabendo que existe um problema conhecido não é algo efetivo (eficiente e eficaz). No entanto se cada um dos incidentes gerados agregar valor através de solução de contorno para o problema do usuário (o problema do usuário não é o ERP. O real problema do usuário é o que ele queria fazer para o negócio usando o ERP) é importante registrar o incidente pois a base de conhecimento do SD será acrescida de informações sobre como oferecer ao usuários opções provisórias para endereçar as necessidades do negócio.

Se os 200 incidentes servirem apenas para documentar a indisponibilidade do ERP e informar o usuário que o sistema está inoperante e ele deve esperar então estamos falando apenas de tempo e dinheiro jogados fora.

Trata-se de um conjunto de Melhores Práticas e não de uma metodologia, cabe ao Negócio decidir o que agrega mais valor e, IMHO, discutir o que é “certo ou errado” é importantíssimo para não afastar a prática da teoria (conforme bem disse o fulano), mas vejo casos como este muito mais como uma questão de “mais ou menos adequado” do que a dicotomia anterior.

Obs.:

Gostei também do que disse o siclano, que trouxe neste comentário um pouco de “pensamento enxuto” para a TI. Acredito que tanto clientes quanto acionistas NÃO estejam dispostos a arcar com custos de tratar 200 incidentes. Embora seja verdade que a solução de contorno para cada um pode ser diferente, aliás acho que este seria o balizador para esta decisão.

O comentário do beltrano também é bastante pertinente, pois embora o assunto esteja bem mais maduro do que quando comecei a ler sobre isso em 2005, vez ou outra percebo esta confusão de incidentes que “evoluem” para problemas ou erros conhecidos.

Como percebem, as opiniões são divergentes.

O debate é excelente, pois permite identificar visões diferentes da que estamos acostumados (a nossa!!!). E isso mexe conosco. E nos ajuda a refletir e, pelo menos, tomar decisões baseados nalguma elocubração e não num estilo maria-vai-com-as-outras.

E o Peter?

Ele tem duas frases muito interessantes:

Eficiência é fazer certo as coisas.

Eficácia é fazer as coisas certas.

Eu acho que seria muito eficiente no case proposto, abrir 200 e sei-lá-quantos incidentes. Isso para ficar bem aderente aos conceitos do ITIL. E daí poderíamos gerar estatísticas de impacto, blá-blá-blá.

Mas, PQP, todo mundo sabe que o ERP parou.E o impacto que isso teve na empresa.

A gente não precisa de estatísticas para uma catástrofe dessas. 200 ou 300 incidentes, que diferença faria? São apenas números.

Precisamos é de eficácia nessa situação.

E evitar consumir os recursos do Help Desk / Service Desk feito robôs, registrando incidente-a-incidente, num processo automático e contábil.

Onde fica essência da coisa? A inteligência?

É preciso RESOLVER esse pepino de uma vez, pombas.

O que leva a um registro recente do blog sob o título Na ótica do ITIL, qual é o certo? onde o Pier Riboni se deparou com a mesma situação na lista de discussão ITIL-Service também do Yahoo (e cujo debate está na mensagem número 30…).

Lembrem-se:

A teoria é uma redução da realidade para que possamos estudá-la.

Mas ela nem sempre pode ser justaposta a toda e qualquer situação!

Outra coisa: essa é minha opinião e respeito todas as variantes e diversidade de idéias apresentadas. Mas claro, adoro uma polêmica, hahaha.

Abraços,

El Cohen

PS: De inhapa, dois livros sobre Drucker para conhecê-lo melhor: