Licenciar software para Help Desk

by El Cohen

Ao longo destes dez anos de vida do Fireman tenho visitado clientes interessados em uma solução de software para Help Desk.

Em geral, relegados durante anos pela diretoria e gerência de TI, um dia chega a oportunidade (e o amém) para licenciarem uma solução deste tipo.

Planos são feitos. Avaliações de mercado. Características desejadas reunidas. Pesquisa em produtos estrangeiros e nacionais. Os eventos devem acontecer de maneira mais ou menos rápidos, pois qualquer mudança na economia pode postergar a compra para seis meses ou até dois anos para frente. E, cá entre nós, administrar um departamento de Help Desk sem um software é dureza (nem vou entrar no mérito dos produtos caseiros que vicejam em 80% do mercado nacional, estimativa produzida por mim).

Pois então, um dia o conjunto de características é definido. Está tudo na pastinha com o título: PROJETO DO SOFTWARE DE HELP DESK.

E dentro?

Um desenho do Superman.

Sim, em geral é com isso que me deparo.

Tenho dez anos de Fireman. Dezoito de SIAL Software e Help Desk / Service Desk. Antes disso, já trabalhara anos em infra-estrutura, atendimento, etc na Edisa, Banco Iochpe, Procempa, CA, etc. Tudo em TI. E essa bagatela de anos (dizem que o diabo sabe das coisas mais por ser velho do que diabo) me ajuda a concluir isso.

E confirmo: o “croquit” do produto se assemelha ao Superman.

Ou seja: um produto idealizado.

Sabem o que acontece quando idealizamos algo? Em qualquer coisa na vida? Uma namorada, um relacionamento, um carro, um celular, um novo emprego de trabalho? Um jogador de futebol? Uma praia? Sabem?

Acabamos nos frustrando. Por que a imagem idealizada, perfeita, nunca se alinha com a realidade.

Tem dias que a namorada rança. O celular não tem sinal em determinada localidade. O carro faz um barulhinho que irrita. O jogador muda de time para o maior rival. A praia tem algas e a água fica marrom.

E também isso acontece com o software de Help Desk. Ou ele não tem todas as features que desejamos (integração com AD, totalmente aderente às disciplinas do ITIL, chover de baixo pra cima, conectar batedeira via mensagem SMS, ter a máquina-de-refeição dos Jetsons, etc).

Bom, depois de toda a luta para conseguir na diretoria a autorização orçar o software, a situação parece perdida quando a “salvação” (o software) não é tão perfeita quanto queríamos. Há um sentimento de fracasso. Nenhum produto atende aos requisitos “mínimos”.

Essa é a vida.

O que acho existir por trás de todo este envolvimento? Essa idealização, etc?

Um desejo, ainda que inconsciente, que a ferramenta de software venha resolver todos os problemas do Help Desk / Service Desk!

E nestas horas me vem à mente um white paper da HP, cuja introdução era:

A FOOL WITH A TOOL IS STILL A FOOL!

There are a lot of clients (both of HP and other vendors) that have implemented tools in hopes of solving business problems, only to discover that the root cause of the problem ends up being process related.

O texto acima, apesar de possuir um título provocante, demonstra existir uma tendência a concentrar na tecnologia a solução de dificuldades que acontecem em outras esferas. No caso acima, dos processos.

Gostaria de passar uma mensagem para todos que um dia irão avaliar ferramentas de software. E, de quebra, também para suas experiências de vida:

Reduzam suas expectativas.

Não se trata de ser pessimista. Ou jogar por terra expectativas. Nem de ser pouco ambicioso.

Alerto apenas que perfeição, exceto a Monique Evans, não existe.

Sejam realistas, compreendam que seu funcionário tem aspectos positivos e negativos. Seu carro o leva aonde quer, apesar de ter um barulhinho chato. Sua namorada (assim como você) tem seus dias de alto astral e outros de TPM.

Vá adiante, gere menos expectativas (que possam lhe gerar frustrações) e seja mais feliz.

Abraços

El Cohen